Dizer que os critérios de classe não valem mais para a pós-modernidade é uma grande ilusão.
Aliás, hoje está em voga dizer que tudo acabou e que nada mais vale, valores, conceitos, ideologias, o trabalhador é um mero apêndice do processo produtivo e até o conceito de história querem dar por encerrado.
Tenta-se desgarrar a cultura da economia e da política
A perspectiva pós-moderna é culturalmente suicida, eles transformam cultura num mero enfeite de parede, ela perde toda a sua conectividade com a vida humana e pode ser desfeita a qualquer momento.
Não existe mais burguesia, nem trabalhadores e Estado, os partidos não servem para mais nada, ideologia é uma besteira, classe social é um termo ultrapassado, fazer política é feio. Coletividade? Vamos todos fazer a nossa parte, pois o coletivo é também algo ultrapassado, o que vale é o indíduo.
Fazer a sua parte! Basta deixar de comer carne vermelha e entoar um mantra Indy que o mundo será melhor.
Dizer que não existe esquerda e direita é fácil. Agora, o que dizer da pobreza e da riqueza ambas crescendo cada vez mais.
No entanto, pobreza não é ideologia nem conceito, como diria o presidente Lula "é um fato concreto", assim como o capitalismo, ou será que alguém também vai dizer que não existe capitalismo?
Ser de esquerda após a Comuna de Paris significa lutar contra a sociedade capitalista [cultura, política e vida social], ou seja, contra a riqueza e a favor dos pobres, contra a agressão cultural aos povos não completamente integrados ao Mercado.
Ser de direita é (resumindo) achar que tudo o que existe é o mercado!
Querem substituir interpretação da sociedade através das classes sociais pelos chamados "Padrões de comportamento de consumo" [mercadorias], "classe sócial é coisa do século passado". Ora! O que é isso?
O grande mérito de Marx no século retrasado foi mostrar como existia algo de mais complexo entre o homem e as mercadorias, mediações que explicavam a dominação de uma classe sobre a outra, que ele chamou de fetichismo da mercadoria.
Os intelectuais de direita (direita pós-moderna) querem desqualificar todos os conceitos e idéias que tentam desmistificar a mercadoria, em contrapartida, eles tentam, consciente ou inconscientemente, fazer erigir um novo Deus – "os Mercados".
Ser de esquerda não é só ideal é uma necessidade!