quinta-feira, 19 de junho de 2008

A inescrupulosa ofensiva da direita

Estou em Guararema, na Escola Nacional Florestan Fernandes, para um Seminário sobre "Criminalização da pobreza, repressão aos movimentos sociais e lutas na América Latina", com participantes latino-americanos, de diversos movimentos sociais. Hoje ouvi relatos de militantes do MST do Rio Grande do Sul que ressaltava a preocupação com a ofensiva do governo estadual, conservador e totalmente repressor. Como nos tempos da ditadura, querem tirar a legitimidade do movimento, uma clara intimidação aos militantes e uma medida de contenção social. Vejam abaixo o que ocorre e mandem apoio e solidariedade, pois num país que se diz "democrático" não podemos, enquanto povo que quer ser dono de seu próprio destino, permitir que essa criminalização dos movimentos sociais ocorra.
abraço,
Fernanda


NOTA DO MST- RS

Amigos e Amigas da luta pela terra,

Enviamos abaixo a Nota divulgada sobre os despejos ocorridos ontem em Coqueiros do Sul, em duas áreas que estavam cedidas às famílias acampadas. Gostaríamos de alertá-los que já existem pedidos do Ministério Público para despejo dos acampamentos de São Gabriel (de uma área que é pré-assentamento) e dos acampamentos de Nova Santa Rita e Pedro Osório, que estão em áreas de assentamento. Estes pedidos já se encontram com Juízes das respectivas Varas e poderão ser executados a qualquer momento.

Contamos com seu apoio neste momento de repressão, não apenas ao Movimento Sem Terra, mas ao conjunto dos movimentos sociais,

Um forte abraço e boa luta,

Coordenação Estadual MST-RS

UMA AÇÃO ORQUESTRADA CONTRA OS MOVIMENTOS SOCIAIS

Métodos e Argumentos do Ministério Público e da Brigada Militar ressuscitam a Ditadura Militar no Rio Grande do Sul.

No dia de ontem (17/06), centenas de famílias de trabalhadores Sem Terras foram despejados de dois acampamentos pela Brigada Militar do Rio Grande do Sul no município de Coqueiros do Sul. A duas áreas pertencem a pequenos proprietários e estavam cedidas para a instalação das famílias. Os Barracos e plantações foram destruídos, além das criações de animais, que foram espalhados, para que as famílias não pudessem leva-los. Cumprindo ordens do Poder Judiciário, as famílias foram jogadas à beira da estrada em Sarandi no final da tarde.

É preciso lembrar que este acampamento a beira da estrada para onde foram levadas, é o mesmo local de onde foram despejadas há um ano. Até quando estes trabalhadores vão permanecer lá? Quanto tempo levará até o próximo despejo?

O despejo de ontem não se trata apenas de mais um ato de violência e intransigência da Governadora Yeda Crusius e da Brigada Militar. Há um nefasto projeto político em curso no Rio Grande do Sul, envolvendo a proteção dos interesses de empresas estrangeiras, que são também grandes financiadoras de campanha, a supressão de direitos civis e a repressão policial. A ação faz parte de uma estratégia elaborada pelo Ministério Público Estadual para impedir que qualquer movimento social possa se organizar ou manifestar-se. Juntos, o Ministério Público Estadual e a Brigada Militar ressuscitam os métodos e práticas da ditadura militar, ameaçando qualquer direito de reunião, de organização ou de manifestação.

Na ação civil que determinou o despejo ontem, os promotores deixam claro sua inspiração pelo golpe militar de 1964, ao lembrarem que o golpe que restringiu as liberdades civis no Brasil, “ pacificou o campo”.

O despejo de uma área cedida, a ameaça de multa a seus proprietários se voltarem a apoiar o MST e as promessas de que novos despejos ocorrerão nos acampamentos em São Gabriel (num pré-assentamento), em Nova Santa Rita e em Pedro Osório (ambos em áreas de assentamentos) são decisões autoritárias que ameaçam não apenas o Movimento Sem Terra, mas estabelecem uma política de repressão para todo e qualquer movimento social.

Ao mesmo tempo em que os movimentos sociais são perseguidos e criminalizados, não se vê nada para recuperar os R$ 44 milhões roubados dos cofres públicos para o financiamento eleitoral no esquema do DETRAN.

Da mesma forma, quando grandes empresas estrangeiras criam empresas-laranjas e adquirem terras ilegalmente no Rio Grande do Sul, que somente agora foram indeferidas pelo executivo, não se vê nenhuma ação do Ministério Público, judiciário ou do executivo estadual.

No ano passado, após a Marcha à Fazenda Guerra, o Ministério Público propôs um termo de ajuste onde o Poder executivo federal assumia o compromisso em assentar mil famílias até o mês de abril deste ano. Nos causa estranheza que não hajam mais cobranças do Ministério Público para o cumprimento do acordo, que este mesmo poder propôs. E ainda, que agora decrete o despejo das famílias, que poderiam estar assentadas e produzindo alimentos, caso o mesmo acordo tivesse sido respeitado.

Há interesses que ainda se encontram ocultos nas ações desta semana e nas medidas que o MPE anuncia. O certo é que a volta dos regimes autoritários e repressivos, a serviço de interesses obscuros, ameaça a todo o povo gaúcho.

Coordenação Estadual MST - RS

Na Contramão

Cada dia me preocupo mais com o conteúdo ideológico implícito nos estudos científicos.
Segundo o portal G1, um estudo belga comprova que os homens gastam mais dinheiro perante a insinuação sensual feminina. A manchete anuncia, como uma grande novidade, que não é só o corpo feminino que vende, mas qualquer referência a ele, como um biquíni ou uma lingerie.
Eu, sinceramente, não entendo o que leva um cientista a pesquisar se o fator estimulante é o corpo ou alguma referência a ele, pois a mensagem subliminar é a mesma: o feminino enquanto estratégia de venda, não enquanto ser humano.
A pergunta que não quer calar é: a quem serve esta pesquisa?
Certamente não é aos profissionais de humanas, que devem buscar a humanização, e não a coisificação do homem.
Esta pesquisa é muito útil a publicitários anti-éticos que buscam vender qualquer coisa a qualquer preço; aos capitalistas que, se pudessem, punham um código de barras na mãe e colocavam-na numa prateleira; às mulheres-objeto que querem se promover a qualquer custo.
Veja um trecho de uma entrevista da "boa" Juliana Paes à Revista TPM, na edição de janeiro de 2008:
"TPM: Você é a mais onipresente vendedora de cerveja do Brasil. Isso não faz de você uma mulher-objeto?
JP: Eu não, de jeito nenhum, o objeto é a cerveja! [Risos]"
Talvez, pra ela, seja muito divertida toda essa conjuntura: ela é linda, tem um corpo perfeito e condições financeiras para mantê-lo. Sim, financeiras, pois ninguém mantém uma imagem desse nível "bebendo dois litros de água por dia".
Por outro lado, mulheres de carne e osso, que não têm condições de bancar drenagem linfática, frango grelhado 3x por semana e estimulação russa, são obrigadas a conviver com depreciações machistas e têm sua auto-estima severamente abalada.
Agora a digníssima indústria de cerveja e sua garota propaganda podem rir ainda mais, pois tem um argumento científico - percebem o peso da palavra? - que legitima o corpo da mulher enquanto item de consumo. A pesquisa ignora o fator cultural como moldador do compotamento, apenas diz que "sim, a sensualidade feminina faz vender", como se fosse algo natural e imutável.
A matéria encerra com uma "brincadeira" absolutamente desnecessária do "cientista". "Objetos masculinos não parecem ter o mesmo efeito sobre as mulheres. `Os centros de recompensa neurais das mulheres não são tão ativados quanto os dos homens por esse tipo de estímulo´, afirmou Van der Berg. `Possivelmente, elas são ativadas por outros tipos de recompensas. Talvez, sapatos,´ brinca ele."
Podemos resumir em duas frases: A ciência diz que homens precisam de sexo e mulheres precisam de sapatos. Qualquer manifestação do contrário é anti-natural.
Isso é o que eu chamo de Psicologia Anti-Social.

domingo, 15 de junho de 2008

Maria Lucia Amary solicita promoção "post mortem" a oficial da PM envolvido com a repressão no regime militar de 64

Recentemente lembramos os 40 anos da promulgação do AI-5, que promoveu o endurecimento da repressão militar do golpe de 64, levando o Brasil a um regime de terrorismo de Estado.
Tivemos milhares de jovens torturados, mortos e desaparecidos.

Passadas quatro décadas ainda não sabemos o número exato de pessoas assassinadas e turturadas. Milhares de pessoas carregam no corpo feridas que a lembrança não deixa cicatrizar.
Lembrança de um tempo em que sonhar com um mundo melhor e ousar lutar por um país de todos e para todos era crime de terrorismo.

A Lei de Anistia (1979) na prática, permitiu a todos os oficiais da PM e do Exército escapar de um julgamento por seus crimes. Eles estão todos soltos gozando de uma pesada aposentadoria e aqueles que já embarcaram para as profundezas de Hades, puderam ainda deixar uma gorda pensão vitalícia para suas filhas.

Só recentemente o Estado assumiu sua responsabilidade e com o governo Lula, as vítimas começaram a ser indenizadas.

Na contramão da história política recente, a deputada sorocabana Maria Lucia Amary (PSDB), junto com o deputado Sérgio Olímpio Gomes (PV), esta solicitando ao governo do estado a promoção “post mortem” do Cap. da PM Alberto Mendes Junior ao cargo de Coronel, para que suas filhas possam receber a pensão de R$ 5.500,00. Alberto Mendes era um oficial da repressão, morto em combate com a VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) no Vale do Ribeira.
Na verdade, Alberto Mendes era Tenente e fora promovido também "post mortem" em 1970 à patente de Capitão, agora, M. L. Amary quer promovê-lo Coronel. Onde isso vai parar?
No mês passado o historiador Carlos Cavalheiro já havia denunciado que a deputada do PSDB apresentou um projeto de lei dando o nome de Francisco Moron Fernandes a um viaduto da Raposo Tavares, Moron Fernandes figura na história de Sorocaba como lider de um grupo integralista que perseguia e torturava operários anarquistas e comunistas na década de 30.

A deputada Maria Lucia Amary pertence a um partido que tem a social democracia no nome, mas parece ter saudades do regime ditatorial.
Mande um e-mail para a deputada: mlamary@al.sp.gov.br

Fonte: Site da deputada

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Fala baixo que eu sou cego e não surdo

Às vezes a gente custa a entender que um portador de necessidades físicas especiais é capaz de viver de maneira absolutamente normal, desde que sejam feitas algumas adaptações aos objetos e nos ambientes de uso público. Mas, do mesmo modo, é preciso que o restante das pessoas não só respeitem como também acreditem na capacidade do outro.

Certa vez eu andava pelo centro de Sorocaba e, ao passar por uma cabine de telefone, um moço deficiente visual pediu que eu lesse um número de telefone num cartão, querendo ajudar e ir além, peguei o cartão de sua mão e teclei eu mesmo o número no orelhão, por distração ou falta de coordenação motora teclei errado, eu havia falado o número e o moço então pegou o telefone da minha mão e me deu uma lição - teclou três vezes mais rápido do que eu, e certo.

Na Biblioteca Municipal trabalha um senhor chamado Carlos (deficiente visual), o famoso Carlão, conhecido de muita gente, ele se desloca rotineiramente por toda a cidade, utiliza transporte público, estuda, bate papo, enfim...

Hoje, entre um capítulo e outro de um obscuro livro de Hegel, resolvi esfriar a cabeça e sair da biblioteca. Fui pro jardim fumar um cigarro e dali, pude avistar de longe o Carlão chegando pra trabalhar, havia descido do ônibus e vinha lá tranqüilo caminhando, quando de repente, um homem muito bem intencionado se ofereceu para ajudá-lo e começou: “direita” “em frente” “esquerda” “não, direita” “em frente, mas cuidado”, “ai, não não ali”. Resultado, ele tropeçou em tudo quanto foi degrau e bateu em quase todos os obstáculos. Sozinho ele faria o caminho tranquilamente.

Lembrei de imediato do comediante e também deficiente visual Geraldo Magela ( "o ceguinho" ): “fala baixo seu burro, que eu sou cego e não surdo!”

segunda-feira, 9 de junho de 2008

A contradição social na música de Marcondes [Falcão] Maia

"Para mim uma coisa é um padre, um menino e um jegue. E outra coisa é um pneu de caminhão"

Nesse simples verso ele desnuda a estrutura social e expõe o cerne de um pensamento libertário e moderno. De um lado, temos três elementos agrupados, respectivamente o padre, o menino e o jegue. Que seriam esses elementos, aparentemente tão díspares, para estarem agrupados? Simples: o padre representa a tradição (clero secular), o menino a família (o fruto de uma relação estável), e o jegue a propriedade (a posse, ainda que modesta). Não escapou à nenhum leitor que chegamos assim à TFP - Tradição, Família e Propriedade, uma sociedade que prega valores conservadores.

Mas o que se opõe a isto?

O pneu de caminhão: a máquina, a modernidade, o progresso, a indústria. Contra o Brasil que anda no lombo de burro, o caminhão!

Por Renato

quinta-feira, 5 de junho de 2008

A Saga da Imigração

Uma experiência muito boa que tive nesses últimos meses foi estudar a imigração japonesa, graças ao trabalho que realizei para a revista História Viva, que editou três números especiais sobre a saga dos nipônicos.
Apesar de ser sansei, ou seja, da terceira geração, era ainda, para mim, uma história desconhecida. Pesquisei sobre os motivos que fizeram com que os japoneses saissem da terra do sol nascente em busca de trabalho no Brasil, sobre os choques culturais, a difícil adaptação nas lavouras de café e finalmente a conquista da autonomia com a aquisição de terras para cultivar e diversificar suas próprias lavouras, longe dos berros dos fiscais das fazendas.
Quem tiver interesse, já está nas bancas a edição nº 3 (Revista História Viva. Especial Japão 3).

"Eles vinham ocupar as terras inexploradas do país, nas lavouras de café que estavam em expansão no estado de São Paulo. Viajavam em famílias de pelo menos três pessoas aptas ao trabalho (não importando idade ou sexo), de acordo com as exigências firmadas entre os governos brasileiro e japonês. A exigência brasileira era decorrente da experiência anterior do país com os imigrantes italianos, que fugiam das fazendas sem cumprir seus contratos, acreditavam as autoridades, por serem solteiros".

(trecho de "A exploração do trabalho nos cafezais", História Viva. Edição Especial Japão nº 3, pág. 26.).

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Sorry Periferia


Gostaria de indicar a leitura do blog Sorry Periferia: "Um coice com ferradura de pelica" (click na foto)

Tal Marx, tal Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dia 26 de maio de 2008 chegou à mesma conclusão que Karl Marx em 1847. Lula denunciou: "Eu não vi nenhum produto reduzir de preço depois que acabou a CPMF. Parece que não foi passado para o custo do produto o 0,38%. Parece que aumentou o ganho daqueles que pagavam a CPMF. Se alguém souber de um produto que caiu de preço porque os empresários tiraram do preço os 0,38%, me avisa. Me diga, que vai merecer um prêmio". Lula ainda não se conformou com o fato do Senado ter acabado com a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira: "Em dezembro do ano passado tivemos uma derrota no Senado da República. Nós, embora tivéssemos maioria, assistimos aos senadores da oposição não deixarem passar a CPMF porque tínhamos lançado um programa chamado PAC da Saúde, onde iríamos investir mais R$ 24 bilhões para melhorar a saúde".

Num manuscrito titulado O salário, de dezembro de 1847 - na verdade, o rascunho das conferências que proferiu na Associação Operária de Bruxelas -, Karl Marx anotou: "A diminuição dos impostos não favorece em nada aos operários; no entanto, seu aumento os prejudica. O que tem de bom o aumento dos impostos nos países desenvolvidos desde o ponto de vista burguês é que arruina os pequenos camponeses e proprietários (artesãos etc.), lançando-os à classe operária".

Portanto, pode haver um lado bom nas manobras realizadas na Câmara para criar um novo tributo, chamado de Contribuição Social para a Saúde (CSS), com alíquota de 0,10%: a proletarização do pequeno e médio empresário, se a história, mais uma vez, der razão ao criador do socialismo científico.

Carlos Pompe, Jornalista e Curioso do mundo para o Oni presente.

domingo, 25 de maio de 2008

José Saramago e Blindness

José Saramago chorou quando terminou de assistir ao filme “Blindness”, baseado em seu romance “Ensaio sobre a cegueira”. Enquanto rolavam os créditos finais, disse que estava tão feliz quanto ao terminar de escrever o livro. O diretor Fernando Meirelles, ao seu lado, sapecou-lhe um beijo na careca.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Inversão de prioridades: nova unidade do SESC de Sorocaba custou o dobro do que custou o campus da UFSCAR na cidade.

Por Alexandre Leite Proença (21.05.08)
O jornal Cruzeiro do Sul de hoje, publica uma matéria sobre a inauguração da nova unidade do Sesc em Sorocaba. Uma informação semelhante já havia sido publicado, no último número da revista Provocare.
Ambas as publicações mostram fotos e as dimensões da nova unidade e também divulgam o valor que será utilizado nesta obra: 30 milhões de reais. Para a população ter idéia destes valores, basta dizer que para a instalação da UFSCAR em Sorocaba, foi gasto até agora cerca de 15 milhões de reais.
Este gasto mostra a total falta de bom senso e de compromisso com a população que mora na periferia de Sorocaba, pois além do gasto absurdo, a referida obra será construída em um dos bairros mais ricos de Sorocaba. Esta região não tem nenhuma necessidade deste tipo de investimento, pois a população que mora em seu entorno tem os recursos financeiros suficientes para resolver suas necessidades culturais via mercado.
Por que em vez desta obra faraônica, não são construídas mais unidades dos diversos bairros de Sorocaba, atendendo desta maneira, a grande maioria da população que não tem condições financeiras para poder desfrutar de uma cultura de melhor qualidade.
Isto demonstra a total inversão de prioridades existente em nossa cidade: os maiores investimentos são realizados nos bairro da burguesia e da classe média alta, e na periferia “o que dá para fazer”, o “resto”, pois onde já se viu fazer um investimento destes para os mais pobres.
Segundo o conceito vigente nos setores mais ricos, isto seria “jogar pérolas aos porcos”.
Nos bairros da periferia são construídas “pistas de caminhadas” desprovidas de maiores investimentos de infra-estrutura e nenhum investimento em profissionais habilitados, para atender a população.
Em nosso bairro localizado na zona oeste da cidade de Sorocaba, é isto que acontece, a “pista de caminhada” não tem nenhuma segurança, sendo que já aconteceram muitos casos de violência e estupros no local. E a prefeitura não coloca guardas municipais para garantir a segurança do local.
E apesar de ser uma das regiões que mais cresce, juntamente com a zona norte, nós não temos nenhuma escola técnica profissionalizante, que ajudaria em muitos os nossos jovens. E bastaria uma pouco mais de bom senso e visão menos mesquinha, destinando uma parte deste gasto faraônico de 30 milhões de reais, para a construção de escolas técnicas aqui na zona oeste, quanto na zona norte de Sorocaba.
O sistema S, age de maneira a inviabilizara o atendimento aos trabalhadores, pois também cobra preços absurdos na mensalidades da maioria das suas unidades de educação.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Único amor é hipocrisia


Danielle, mulher de François Mitterrand, escreveu ao povo francês depois das muitas críticas que recebeu por ter permitido que a amante do marido e a filha dos dois participassem da cerimônia fúnebre.

A carta, como diz o comentário anônimo que circula pela internet, “é um auto-de-fé no amor, na elegância, na generosidade e na lealdade a quem se ama”.

Veja a carta:

“Achar que somos feitos para um único e fiel amor é hipocrisia, conformismo. É preciso admitir docemente que um ser humano é capaz de amar apaixonadamente alguém e depois, com o passar dos anos, amar de forma diferente.

Não somos o centro amorável do mundo do outro. É preciso aceitar, também, outros amores que passam a fazer parte desse amor como mais uma gota d’água que se incorpora ao nosso lago.

É preciso viver sem mesquinhez, sem um sentido pequeno, lamacento, comum aos moralistas, aos caluniadores, aos paranóicos azedos que teimam em sujar tudo.

Espero que as pessoas sejam generosas e amplas para compreender e amar seus parceiros em suas dúvidas, fragilidades, divisões e pequenas paixões.

Isso é amar por inteiro e ter confiança em si mesmo.”

Danielle Mitterrand está com 83 anos.

fonte: blog do Favre

terça-feira, 20 de maio de 2008

E a Luta, Como Vai?

Recentemente tive a oportunidade de publicar, juntamente com o companheiro Lucio Costa, um artigo falando sobre a importância e as dificuldades da luta antimanicomial. (Revista Provocare, nº 12, dezembro de 2007).

Ontem, em razão da comemoração do Dia Nacional da Luta Antimanicomial (18 de maio), o vereador Dr. Antonio Sérgio Ismael (PT) convocou uma Audiência Pública na Câmara Municipal de Sorocaba, às 19h.

Compuseram a mesa representantes da Prefeitura, do Movimento Nacional, de Hospitais de Sorocaba e de associações em geral. Participaram do debate, também, trabalhadores da rede municipal de saúde mental, estudantes e professores universitários.

Impossível ignorar que houve uma certa polarização no debate. De um lado, pessoas que acreditavam na luta, apesar de todas as dificuldades (incluindo a falta de verba), de outro, os que achavam que estava tudo errado, que primeiro os hospitais precisariam de muita verba para se estruturarem, para depois trabalhar na re-inclusão dos pacientes na sociedade.

As explanações ficaram um pouco restritas a estatísticas, mas felizmente, no debate, o assunto se enriqueceu. A Profª Drª Valéria Lisboa, psicóloga e professora universitária (inclusive minha), lembrou que um detalhe importante era discutir-se o que era normal ou patológico. Contou que nos últimos anos aumentou drasticamente a prescrição de fluoxetina na rede pública; disse que era importante, acima de tudo, levar o debate da humanização para a formação acadêmica dos profissionais da saúde, para que a luta não vire uma simples burocracia.

Lucio Costa, presidente do C. A. de Psicologia da UNIP, perguntou como ficaria a situação dos manicômios judiciários; chegou-se a conclusão, infelizmente, de que o assunto que foge da alçada do Ministério da Saúde, pois este não tem poder nenhum sobre os internos que estão cumprindo pena. Comentou-se que em alguns locais já existem políticas de inclusão para criminosos com psicopatologias, mas isto depende totalmente da posição de cada juiz.

Uma profissional da rede pública lembrou que este não era o momento de discutir quem era a favor ou contra o movimento, pois este já estava instituído; o que tinha que ser debatido agora era quais os próximos passos a dar para que se construam cada vez mais CAPS, como favorecer a inclusão, etc.

A audiência encerrou-se por volta de 22h40, muitas divergências acabaram por ficar no ar devido ao pouco espaço de tempo. Escrevo, então, para colocar as minhas considerações acerca da atual conjuntura do tema.

Uma crítica foi unânime: a falta de verbas. A lei prevê uma série de cuidados para com o portador de transtorno mental que se tornam impossíveis de serem praticados, tanto no contexto hospitalar, quanto no sistema de CAPS, que ainda está sendo implantado.

Acontece que, enquanto os profissionais estão preocupados em debater o tema entre eles, a luta acaba ficando restrita a uma pequena parcela da população. O Plenário da Câmara, que já é pequeno, não chegou a lotar; um grupo de estudantes compôs o público. Sabemos que, sem pressão popular, a política não acontece.

Cabe a nós, então, levar o debate adiante. Precisamos deixar de lado a erudição e a vaidade, e falar de igual pra igual com o pedreiro e a dona de casa. À medida que o assunto toma visibilidade, fica mais fácil cobrar das autoridades, sejam elas municipais, estaduais ou federais.

domingo, 4 de maio de 2008

O Reducionismo e a Estereotipia na Mídia Tradicional

Acaba de passar no jornal da tv mais uma matéria ridícula criticando o sistema de seleção de alunos das universidades particulares.

Requentada é apelido, mas como nunca me pronunciei sobre o assunto aqui no blog, vou comentá-la.

Primeiro eles citam uma universidade como exemplo, no caso foi a UNIGRANRIO. Eles escolheram uma cujo sistema de aprovação é descaradamente ineficaz, mas há implícita uma crítica a vestibulares de universidades particulares em geral. Vestibular é modo de dizer, porque a maioria prefere o termo "processo seletivo".

Para tentar uma vaga na citada universidade, o aluno deve inscrever-se online, realizar a prova via internet na hora que quiser e o resultado vem por e-mail, meia hora depois. É óbvio que todos passam. Sendo assim, a equipe de reportagem, muito inovadora, convidou um grupo de crianças para realizar o teste e, claro, todos foram aprovados. Sim, eles foram superinovadores, afinal de contas, da última vez que uma matéria desse tipo foi veiculada (pelo mesmo jornal!), o "teste" foi feito com um analfabeto, e não com crianças. Muito originais.

Aí deram voz ao reitor da universidade. Ele foi muito enfático ao dizer que não dava o menor valor para os processos de seleção, e que, se dependesse dele, qualquer um poderia de matricular. É claro que sua fala foi cortada neste momento. Provavelmente, se ele pudesse terminar de falar, diria que a dificuldade em se inserir em determinada instituição não é termômetro para avaliar sua qualidade; que há, em toda e qualquer universidade, um processo de "seleção natural", assim como no mercado de trabalho, portanto, o fato de não haver um instrumento de seleção rígido não contribuía negativamente para a sociedade.

Mas não. A imagem que fica desta universidade (e de todas as outras onde todos são aprovados) é a de descompromisso com o ensino.

Não escrevo para defender universidades particulares, afinal, num sistema educacional ideal, todos teriam acesso gratuito do berçário ao doutorado, mas critico a mensagem subliminar de que o profissional formado pela particular é inferior ao da pública. Nada mais elitista, preconceituoso e medíocre.

Infelizmente, nada mais condizente com o atual contexto social. Numa sociedade onde é mais fácil ler um rótulo do que refletir, as pessoas que não entram numa universidade pública muitas vezes optam por perder anos das suas vidas em cursinhos ao invés de ingressar numa particular e se empenhar em ser um bom profissional. Muitos dos que têm condições de entrar numa pública (geralmente oriundos de colégios caros), aproveitam seus anos acadêmicos para cometer todo tipo de humilhação aos que não tiveram esta oportunidade, ao invés de usarem seus conhecimentos para o bem da população.

Os que entram em particulares, além do esforço natural para concluir o curso e se inserir no mercado de trabalho, têm sua auto-estima atacada a todo momento, e não raro precisam "provar" que podem ser tão competentes quanto os da pública.

Tudo isso chega a ser óbvio, mas a cada dia me certifico de que, pelo menos aqui, no capitalismo selvagem, universidade é troféu. O indivíduo passa a vida escolar se preparando, decorando tabela periódica, datas históricas e fórmulas matemáticas, ignorando outros aprendizados talvez mais importantes para sua vida, como noções de cidadania, convívio social e respeito ao próximo, para no final pegar seu prêmio: um diploma com o timbre de uma instituição de peso para emoldurar e pendurar na sua sala. Diploma esse que vai justificar qualquer ato que a pessoa venha a realizar profissionalmente, ainda que não traga benefício nenhum à humanidade.

Revista Provocare, número de Maio

A Revista Provocare acabou de sair da gráfica.

Editada pela jornalista votorantinense Luciana Lopez é um dos poucos veículos alternativos da cidade.

Mas como sempre o número é limitado, corram aos pontos de distribuição antes que acabe.
Entre os destaques, estão os textos sobre Banco de Alimentos de Sorocaba, enchentes do Rio Sorocaba, o artigo sobre Personagens do Terminal, um trecho histórico sobre a escravidão em Sorocaba, entrevista com gerente do SESC/SP, Danilo de Miranda, homenagem ao ator Paulo Autran, contos, poesias, entre outros. A capa aborda a questão da diversidade sexual.
A PROVOCARE é distribuída gratuitamente nos seguintes locais:
Sorocaba: Banca Campolim – Av. Antonio Carlos Cômitre, 672 / Revistaria Sorocaba - Shopping Sorocaba / SESC Sorocaba – Av. Washinton Luís, 446 / Padaria Buon Giorno – Rua Afonso Pedrazzi, 195 – Trujilo / Padaria Real – Rua da Penha, 1373 / Padaria Sabina – Rua Pereira da Silva, 1400 – Santa Rosália / Bar Depois – Cônego Januário Barbosa, 123 - Costela & Cia - Rua Fernando Silva, 38 - Jd Bandeirantes e Av. Barão de Tatuí, 1387 - Jd. Vergueiro / Mandala Bar - Rua Visconde de Taunay, 60 – Cerrado / Yoshis Restaurante – Rua Júlio Marcondes Guimarães, 189 – Campolim /Villa Moreno - Av. Domingos Júlio, 755 - Campolim / Transamérica Flat The First – Av. Prof. Izoraida Marques Peres, 193 – Campolim / Grand Hotel Royal – Av. Álvaro Soares, 451 / Grupo Imagem e Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região – Rua Júlio Hanser, 140 Votorantim: Banca Central – Av. 31 de março, ao lado da Prefeitura de Votorantim - Centro / Biblioteca Municipal - Boulevard Antônio Festa, 59 - Centro / Aquário Cultura – Av. Moacir Oséias Guitte, 41 - Centro / Auditório Municipal "Francisco Beranger" - em frente ao terminal de ônibus - Centro

sábado, 3 de maio de 2008

Felicidade sexual assegurada por lei

Constituinte equatoriana quer 'felicidade sexual' garantida por lei

Uma deputada constituinte governista no Equador propôs que o direito das mulheres à felicidade sexual seja garantido pela lei do país.

Maria Soledad Vela, que faz parte da Assembléia que está reescrevendo a Constituição do país, alega que as mulheres são tradicionalmente vistas apenas como objetos sexuais ou como reprodutoras.

Agora, segundo ela, as mulheres deveriam ter o direito de tomar decisões “livres, responsáveis e informadas” sobre suas vidas sexuais.

O objetivo expresso da Assembléia Constituinte é, entre outras coisas, tentar garantir uma melhor distribuição de renda e direitos para as comunidades indígenas e para os pobres.

Para Soledad Vela, as mulheres não deveriam ser deixadas de lado nesta lista.

Mas suas propostas provocaram uma intensa resposta – em sua maioria, sem surpresas, dos homens.

O deputado constituinte de oposição Leonardo Viteri acusou-a de tentar decretar “orgasmo por lei”.

Soledad Vela respondeu às críticas dizendo que nunca pediu o direito ao orgasmo, mas somente o direito de “desfrutar do sexo em uma sociedade mais livre, justa e aberta”.

BBC-Brasil

Companheira Maria Soledad:

Pode contar com nossa solidariedade e apoio irrestrito.

De nossa parte, nós, homens da esquerda latino-americana, de todos os matizes, buscaremos garantir a felicidade sexual de nossas camaradas.

Pedimos apenas um pouco de colaboração. E expectativas mais realistas.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Soracaba na História mundial

Em 1 de Maio de 1910 a cidade recebia de um homem que ajudaria a definir o destino das ideologias na Europa, Alceste De Abris.
Alceste De Ambris* foi dirigente da União Sindical Italiana e esteve no Brasil entre 1910 e 1911, fugindo da repressão em seu país.
Viajou pelo estado de São Paulo realizando palestras para os operários, estando em Campinas em Abril de 1910 e em Sorocaba no 1o de Maio do mesmo ano. Ao voltar para a Itália é eleito deputado em 1913.
Porém, durante a 1ª Guerra Mundial De Ambris teria se convertido ao nacionalismo e se tornado grande amigo e companheiro de Gabrielle de D`Annunzio, poeta e romancista, francês de nascimento e considerado o precursor do fascismo na Itália.
E em 1918 D`Annunzio era um comandante militar italiano e tomou com um exército de 2 mil voluntário a cidade de Fiume (hoje Rijeka na Croácia) aos franceses, na expectativa que a Itália a anexasse.
O governo Italiano não só recusou-se anexar a cidade como também atacou o pequeno exército que resistiu. D`Annunzio decide então criar o Estado autônomo de Fiume, fazendo de si “Duce” (ditador) e declarando guerra às potências.
A experiência foi efêmera mas D`Annunzio convidou Alceste De Ambris para redigir a constituição do novo Estado, esta peça seria a precursora da ideologia do fascismo, tendo grande influência sobre Mussolini.
*Infelizmente as fontes mais confiáveis que encontrei foram do Wikipédia sobre Gabriele D`Annunzio e sobre Alceste De Ambris. Sobre a presença de Alceste De Ambris em Sorocaba ver jornal O Operário (1909-1914)

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Estão lembrados do Fusca 51? Eis a Bróboleta 80'.




Do Jornal "O Dia"

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Última edição do Provocare FM

Entrevista com Fernandinho do bar Depois (26/10/2007)

Depois de exatos dois anos no ar pela Rádio Cruzeiro FM, o Programa PROVOCARE FM interrompe suas exibições hoje.
A estréia foi em 29 de abril de 2006, com a apresentação da Doutora em Comunicação, Míriam Cris Carlos, direção do jornalista Werinton Kermes, produção de Maíra Fernandes - que hoje é repórter do Jornal Cruzeiro do Sul, reportagens de Luciana Lopez, que posteriormente assumiu a produção do programa, trabalharam também Jarbas Santos, Laurentino Rodrigues e Edvaldo Pereira, na área técnica.
Nesse período, o PROVOCARE FM conquistou três prêmios jornalísticos. O último PROVOCARE FM vai ao ar pela Rádio Cruzeiro FM (92,3 Mhz) e pelo site http://www.cruzeirofm.com.br/ hoje (sexta-feira – 24 de Abril), às 13h, e será reprisado na terça-feira, dia 29, às 23h.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Uma blogueira socialista no governo espanhol


Anota aí. Tem 31 anos, blog, canal no YouTube, conta no Flickr e perfil no Twitter. Bibiana Aído é Ministra da Igualdade, do governo de José Luis Zapatero. Na Espanha, é conhecida como a ministra 2.0 e conta com um grande respaldo da blogosfera local.

Conforme comentei em outro post, mais cedo ou tarde, esse perfil de político que tem um conhecimento mais prático da rede vai aparecer, principalmente na hora em que essa geração que está crescendo junto com a web chegar aos centros de decisão.

Resta saber se essa postura de utilizar ferramentas de redes sociais será um diferencial daqui a alguns anos. Bem provável que não.

O que vale destacar no caso da ministra espanhola é que, pelo visto, o seu blog é atualizado por ela mesma e não por sua assessoria. Ela responde até a alguns comentários. E o mais importante - está utilizando essas ferramentas enquanto está no poder.

Pois, cá entre nós, são coisas diferentes. Um negócio é você usar essas plataformas de redes sociais enquanto está no poder.

Outra coisa é utilizar durante a campanha, como vem fazendo o Barack Obama e diversos outros candidatos para alcançar eleitorado.

A grande evolução mesmo é ser “social” no poder e não somente durante campanhas.

fonte: Tiago Dória

quarta-feira, 9 de abril de 2008

A quem possa interessar...

Este ano a Virada Cultural de São Paulo acontece dias 26 e 27 de abril. Resolvi escrever aqui alguns toques pra quem pretende ir até Sampa curtir a festa. Leiam com atenção, pois tratam-se de lições aprendidas por quem já se ferrou muito nesse evento.

- Monte sua programação com antecedência.
Ela já está disponível aqui. Nada mais chato do que pegar a programação na hora, não ter tempo de ler direito e deixar passar o show daquela banda que você adora.

- Ao se programar, leve em consideração a distância entre os locais.
Essa é outra dica meio babaca, mas ainda tem gente que acha que vai se locomover da Av. Paulista ao CEU Rosa da China em 5 minutos.

- Fuja do pop.
Não é preconceito. O fato é que pra assistir a um show de um artista muito conhecido, você precisa chegar ao local com horas de antecedência pra conseguir um lugar legal, se submeter a empurrões, baforadas de maconha, vomitadas, bêbados caindo sobre você, e todas as desvantagens de um lugar entupido de gente. Em 2006, foi assim no show do Cordel do Fogo Encantado, e em 2007, no Nação Zumbi. Cheguei em cima da hora, e a metros de distância do palco, mal ouvindo a música, ainda sofria com o empurra-empurra. Não cheguei a ver quase nada dos shows.

- Chegue com antecedência em locais com número limitado de pessoas.
Você corre o risco de ficar pra fora. Ano passado, no show da Central Scrutinizer Band, no Municipal, cheguei com 2h de antecedência e ainda assim peguei um lugar ruim.

- Aos bêbados, drogados e adolescentes em fase de auto-afirmação:
Saiba o seu limite. Se você beber/fumar/cheirar demais, além de perder o evento e correr risco de vida, pode atrapalhar a festa de gente que não tem nada a ver com isso. Não vomite na grama, porque ela pode ser a cama de alguém. Existem também banheiros químicos, pra que o centro de São Paulo não vire uma piscina de mijo às 6 da manhã. Deixe pra despirocar num final de semana comum.

- Cuidado com os pertences.
Leve só RG ou CNH na carteira. Dinheiro, sempre espalhado pelos bolsos/sapatos; evite andar com talão de cheques e cartões de crédito, você não vai usar. Acreditem, não é nada legal perder horas da virada sustando cartões no banco. Passei por isso em 2006.

- A gente quer comida, diversão e arte.
Se você vai com bolsa ou mochila, aproveite e leve alguma coisa tipo maçã, barra de cereal, frango com farofa... quanto menos você precisar parar pra comer em padarias ou lanchonetes, melhor. Ainda são poucas as que funcionam 24 horas, e elas costumam ficar abarrotadas de gente durante a madrugada. Já quanto as bebidas, não há porque se preocupar: em todo canto tem um ambulante vendendo de água a energético, e eles não costumam explorar no preço.

- Seja cara-de-pau...
... e faça contato com aquele amigo de São Paulo, pra que você tenha um lugar pra dormir se o cansaço apertar. Caso você não tenha ninguém, a grama do Anhangabaú, perto do palco de dança, é bem confortável.

- Observe os SEUS horários.
Pode não ser uma boa ver um filme iraniano às 9h, se você está acostumado a acordar tarde. Deixe as atividades mais "cabeça" pros horários que você acha que vai estar mais ativo.

- Esteja aberto.
O legal da virada é observar a mistura: de gente, de cores, de estilos, de sons... Quando tiver um buraco na programação, aproveite pra ver algo que você nunca viu: um show de rap, uma dança indígena... você pode se surpreender.

- Use roupas confortáveis.
Leve em consideração o tempo maluco de São Paulo, pra você não passar frio nem calor. Não pense que vai arrasar no visual descolado, porque na virada cultural, todo mundo é descolado. Ano passado, meu amigo foi sem sobrancelhas e nem chamou a atenção. Se quiser atrair olhares, vá de jeans, hering branca e um tênis que não seja all-star. Aí sim, as pessoas vão te olhar como se você fosse um alien.

- Não se sinta mal se não tiver companhia.
Já fui à Virada sozinha e acompanhada, e as duas experiências foram muito legais. Sozinha você tem mais autonomia pra fugir de uma atração que não tá gostando, ou desistir daquela outra porque tá com preguiça de andar até lá.

- Aproveite!!!
É só uma vez por ano...