quinta-feira, 10 de julho de 2008

Projeto de lei aprovado em comissão do Senado coloca em risco a liberdade da rede e cria o "provedor dedo-duro"

Na última semana, em uma sessão corrida e esvaziada, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou o projeto de lei (PLC) 89/03 que define quais serão as condutas criminosas na Internet.

Os exageros que constam do projeto podem colocar em risco a liberdade de expressão, impedir as redes abertas wireless, além de aumentar os custos da manutenção de redes informacionais. O mais grave é que o projeto apenas amplia as possibilidades de vigilância dos cidadãos comuns pelo Estado, pelos grupos que vendem informações e pelos criminosos, uma vez que dificulta a navegação anônima na rede. Crackers navegam sob a proteção de mecanismos sofisticados que dificultam a sua identificação.

Veja o aburdo. Com base no artigo 22 do PLC 89/03, os provedores de acesso deverão arquivar os dados de "endereçamento eletrônico" de seus usuários. Terão que guardar os endereços de todos os tipos de fluxos, inclusive a voz sobre IP, as imagens e os registros de chats e mensagerias instantâneas, tais como google talk e msn.

O pior. A lei implanta o regime da desconfiança permanente. Exige que todo o provedor seja responsável pelo fluxo de seus usuários. Implanta o "provedor dedo-duro". No inciso III do mesmo artigo 22, o PLC 89/03 exige que os provedores informem, de maneira sigilosa, à polícia os "indícios da prática de crime sujeito a acionamento penal público". Ou seja, se o provedor identificar um jovem "baixando" um arquivo em uma rede P2P, imediatamente terá que abrir os pacotes do jovem, pois o arquivo pode ser um MP3 sem licença de copyright. Mas, e se ao observar o pacote de dados reconhecer que o MP3 se tratava de uma música liberada em creative commons? O PLC implanta uma absurda e inconstitucional violação do direito à privacidade. Impõe uma situação de vigilantismo inaceitável.

Como ficam as cidades que abriram os sinais wireless? A insegurança jurídica que o PLC impõe gerará um absurdo recuo nesta importante iniciativa de inclusão digital. Como fica um download de um BitTorrent? Deverá ser denunciado pelos provedores? Ou para evitar problemas será simplesmente proibido por quem garante o acesso?

Como fica o uso da TV Miro (www.getmiro.com/)? Os provedores deverão se intrometer no fluxo de imagens e pacotes baixados pelo aplicativo da TV Miro? E um podcast? Como o provedor saberá se não contém músicas que violam o copyright? Se o arquivo trazer músicas sem licença, o provedor poderá ser denunciado por omissão? Pelo não cumprimento da lei?

O PLC incentiva o temor, o vigilantismo e a quebra da privacidade. Prejudica a liberdade de fluxos e a criatividade. Impõe o medo de expandir as redes.

fonte: blog do Sérgio Amadeo

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Por que comemoramos o nove de Julho (o dia do café-com-leite)

Primeiramente é preciso esclarecer que o termo revolução e usado indevidamente quando se refere a 1932, está sendo usado indevidamente em todas as acepções do termo.

No sentido iluminista (progresso) que é também adotado pelo marxismo (progresso e transformação social) o uso é indevido, pois a "revolução de 32" não representa qualquer tipo de avanço, modernização, nem uma simples inovação, pelo contrário, a “revolução de 32” representa o último suspiro, a agonia de um modo arcaico de fazer política, a política dos coronéis, do café-com-leite, uma política que coadunou tudo o que existia de mais pernicioso no Império brasileiro e que transbordou para o século XX.
A revolta dos paulistas foi promovida contra o governo provisório (1930-1934) de Getúlio Vargas. Apesar de São Paulo ter sido derrotado pelas forças de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, no tratado de paz, em troca da lealdade paulista o governo federal assumiu as dividas internacionais de São Paulo e se comprometeu a realizar uma constituição. Mas os paulistas apesar de derrotados militarmente se consideram vitoriosos, por que conseguiram manter seus privilégios oligárquicos e por isso comemoramos o feriado de Nove de Julho. Além disso, São Paulo perdeu sua hegemonia e a política de valorização do café e, mesmo com a constituição de 1934, Getulio foi eleito presidente e se manteve no poder de 1934 até 1945.
O governo de Getulio Vargas, esquecendo por um momento que ele assumiu por meio de um golpe militar, autoritário, foi a retomada de um projeto nacional que havia sido abandonado em favor dos projetos individuais das oligarquias locais, com o fim do Império. Todos os golpes devem ser execrados, a ditadura Vargas foi em vários momentos muito mais dura que a de 1964 e foi o único período desde o Império que o congresso foi fechado completamente. Mas, ainda assim, a “revolução” de 1932 representa um grande retrocesso.
Sendo assim qual o motivo dessa comemoração?
A elite paulista atualmente impôs esta comemoração como se ela fosse a luta contra o autoritarismo e como se hoje ela representasse a luta por mais democracia. É mentira! o que acontece é que a hegemonia paulista reconquistada após o processo de industrialização esta sendo contestada novamente, São Paulo esta tendo sua hegemonia econômica, política e cultural desafiada.
Vejamos a vitoria de lula, foi antes de tudo uma derrota para a elite paulista. Ainda que aceitemos que foi uma vitória das classes menos favorecidas, os trabalhadores, isso não explica completamente o fenômeno Lula. Principalmente porque no norte, no nordeste e em Minas Gerais, Lula foi aclamado pelos pobres, mas também foi por uma parcela da elite, em São Paulo e nos estados do Sul isso não aconteceu, aqui o eleitor de Lula é marcadamente o pobre, o excluído e o trabalhador. Por traz dessa aparente contradição pode estar a resposta para um conflito silencioso – São Paulo estaria mesmo perdendo a sua hegemonia, isso começou com a perda de industrias a partir da década de 80 e fica mais claro com a vitoria do lula. Essa vitória além de ser o desenrolar de um conflito de classes é também o resultado de um conflito entre as elites, representa uma derrota política para São Paulo. O projeto paulistanista afundou com a nau de FHC, nao é a toa que ele é um heroi para a elite paulista. E não é a toa que Lula procure se aproximar da imagem de Getúlio.
A até agora chamada burguesia nacional, é na verdade a burguesia do sul-sudeste, esta burguesia é majoritariamente paulista e o PSDB e as Organizações Globo também o são. Brizola estava certo quando dizia que ”a Globo detesta[va] o Rio de Janeiro”, os jornais de São Paulo e até mesmo o Jornal O Globo (do Rio) fazem campanha aberta contra o Rio de Janeiro – deixam bem claro que o modelo a ser seguido é São Paulo.
O feriado de nove de Julho é muito recente e este é um indício de que o problema da identidade paulista é atual. A escolha de datas comemorativas, assim como o conteúdo das cartilhas didáticas sobre história, as nomeações de ruas, são todos elementos da construção de uma memória, de uma identidade.
Getulio Vargas é ainda hoje, adorado no Rio de Janeiro e em Minas Gerais e detestado em São Paulo. No Rio, o museu republicano é o Palácio do Catete na Rua Toneleiros (onde viveu Getúlio). Em São Paulo o museu republicano fica em Itu, na sede do antigo Partido Republicano Paulista (PRP), onde se organizavam os líderes da revolta de 32. Essa diferença mostra a maneira como a história oficial dos dois estados é tratada. No Palácio do Catete existia até o ano passado quando o visitei, uma sala dedicada as primeiras damas e dois vestidos de gala estavam expostos lado a lado, em evidência, um de dona Darcy Vargas e outro de dona Marisa Letícia, esposa de Lula. no museu republicano paulista isso seria impossível.
Por último, lembro que o meu pai é mineiro e vive em São Paulo há 26 anos, até hoje ele não consegue entender o porquê dos paulistas comemorem o Nove de Julho, sendo que São Paulo perdeu a batalha de 1932.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Daniel Dantas foi preso

Comandados pelo delegado Protógenes Queiroz, quase 300 agentes da Polícia Federal iniciaram, às 6 da manhã desta terça-feira 8 de julho, a Operação Satiagraha. A PF cumpre 24 mandados de prisão - além de 56 ordens de busca e apreensão. Na ação deflagrada nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e em Brasília, foram presos, além do banqueiro Daniel Dantas, dono do grupo Opportunity, sua irmã Verônica e seu ex-cunhado e dirigente do OPP, Carlos Rodenburg, o também diretor Arthur de Carvalho, o presidente do grupo, Dório Ferman, o especulador Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta.

Segundo a Polícia Federal, o universo dantesco foi aprisionado pela prática dos seguintes crimes, pelo menos: formação de quadrilha, gestão fraudulenta, evasão de divisas, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal.

Leia mais em Bah!Caroço

Organização Nota Zero

No último domingo Sorocaba pôde conferir um concerto incrível da OSESP ao ar livre, no Paço Municipal.
O programa foi exaustivamente anunciado pelos seus organizadores, a TV Tem. Na data estipulada, antes do horário marcado, já era difícil estacionar ao redor do local.
Cheguei perto de 15h30 e, com alguma dificuldade, encontrei Ferik na multidão. Ela me perguntou se eu tinha água, respondi que não. Enquanto ela lamentava não ter vendedores ambulantes, eu me perguntava quando é que vou aprender a usar protetor solar em eventos ao ar livre.
Ferik resolveu então ligar para o namorado, que ainda não tinha chegado, pedindo para que ele trouxesse água. Enquanto isso encontrei um amigo que trazia três garrafas de água numa sacola. Não, ele não estava vendendo. Contou que foi buscar na PQP, segundo suas próprias palavras, porque a organização proibiu os ambulantes e não providenciou um estoque para vender na tenda. Como sabemos, também não há padaria, mercado ou conveniência perto do Paço.
Na minha frente, duas senhoras olhavam ao redor procurando banheiro. Não vi um banheiro químico sequer, e que eu saiba a prefeitura fica fechada aos domingos. Ainda que estivesse aberta, quem quisesse usar o banheiro de lá teria de encarar uns 15 minutos de caminhada. Também não havia nenhuma ambulância, pelo menos à vista. E se alguém se desidratasse?
Às 16 horas, nenhum músico no palco. Alguns minutos depois, o maestro foi até o microfone explicar que para começarem, teria de esperar o sol baixar, pois do jeito que estava, danificaria os instrumentos. Pediu desculpas. Tanto ele quanto a imprensa culparam São Pedro pelo ocorrido. Ninguém se lembrou de quem projetou o palco para um show vespertino de frente para o sol.
A apresentação começou perto de 17h. Logo após o Hino Nacional, muita gente foi embora. Ao longo do concerto (maravilhoso), muita gente passava por nós, em direção à rua.
Não dá pra saber os motivos pelos quais as pessoas deixaram o espetáculo. Poderiam não ter gostado, poderiam ter marcado compromisso para o horário em que o evento deveria terminar, poderiam estar morrendo de sede ou de vontade de ir ao banheiro, ou simplesmente cansadas de ficar em pé. Eu mesma mal aguentava de dor no corpo. Tenho 21 anos, bom condicionamento físico, estava bem alimentada e bem hidratada.
Aí eles falam que estão levando cultura erudita para o povo. Então eu me pergunto como é que querem apresentar um estilo musical ao qual as pessoas não estão habituadas sem proporcionar o mínimo de conforto. Eu diria até de dignidade, porque não estou cobrando cadeiras reclináveis; estou cobrando água, banheiro, pontualidade, ambulância.
O jornal Cruzeiro do Sul anunciou que 8 mil pessoas assistiram à apresentação. A TV Tem foi mais modesta, 6 mil. Será um erro de cálculo, ou será que uma calculou o público do começo, outra do final?

sexta-feira, 4 de julho de 2008

COLAR DE HISTÓRIAS, por Eduardo Galeano

Nossa região é o reino dos paradoxos.

Brasil, peguemos alguns casos:
Paradoxalmente, Aleijadinho, o homem mais feio do Brasil, criou as mais altas belezas da arte da época colonial;
paradoxalmente, Garrincha, arruinado desde a infância pela miséria e pela poliomielite, nascido para a infelicidade, foi o jogador que mais alegria deu em toda a história do futebol;
e, paradoxalmente, já completou cem anos de idade Oscar Niemeyer, que é o mais novo dos arquitetos e o mais jovem dos brasileiros.

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Peguemos o caso da Bolívia: em 1978, cinco mulheres enfrentaram uma ditadura militar.
Paradoxalmente, toda Bolívia riu delas quando iniciaram sua greve de fome.
Paradoxalmente, toda Bolívia terminou jejuando com elas, até que a ditadura caiu.

Eu conheci uma dessas cinco lutadoras. Domitila Barrios, no povoado mineiro de Llallagua. Em uma assembléia de operários das minas, todos homens, ela se levantou e fez todos se calarem.
- Quero lhes dizer isto - disse. Nosso inimigo principal não é o imperialismo, nem a burguesia, nem a burocracia. Nosso inimigo principal é o medo, e o levamos dentro de nós.

E anos depois reencontrei Domitila em Estocolmo. Expulsa da Bolívia, foi ao exílio, com seus sete filhos. Domitila estava muito agradecida pela solidariedade dos suecos, cuja liberdade admirava, mas eles lhe davam pena, tão solitários que estavam, bebendo sozinhos, comendo sozinhos, falando sozinhos. E lhes dava conselhos:
- Não sejam bobos – dizia a eles. Nós, lá na Bolívia, nos juntamos. Ainda que seja para lutar, nos unimos.

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E quanta razão tinha.
Porque eu digo: Existem os dentes, e não se juntam na boca? Existem os dedos, e não se juntam na mão?
Juntamos: e não apenas para defender o preço de nossos produtos, mas também, e sobretudo, para defender o valor de nossos direitos. Estão juntos, embora de vez em quando simulem rixas e disputas, os poucos países ricos que exercem a arrogância sobre todos os demais. Sua riqueza come pobreza, e sua arrogância come medo. Há bem pouco tempo, peguemos este caso, a Europa aprovou a lei que converte os imigrantes em criminosos. Paradoxo dos paradoxos: a Europa, que durante séculos invadiu o mundo, fecha a porta nos narizes dos invadidos, quando retribuem a visita. E essa lei foi promulgada com uma assombrosa impunidade, que seria inexplicável se não estivéssemos acostumados a ser comidos e viver com medo.

Medo de viver, medo de dizer, medo de ser. Esta nossa região faz parte de uma América Latina organizada para o divórcio de suas partes, para o ódio mútuo e a mútua ignorância. Mas, somente estando juntos seremos capazes de descobrir o que podemos ser, contra uma tradição que nos adestrou para o medo e a resignação e a solidão e que cada dia nos ensina a não nos querermos, a cuspir no espelho, a copiar em lugar de criar.

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Ao longo de toda a primeira metade do século XIX, um venezuelano chamado Simon Rodríguez, andou pelos caminhos de nossa América, no lombo de mula, desafiando os novos donos do poder:

- Vocês – clamava don Simon – vocês que tanto imitam os europeus, por que não os imitam no mais importante, que é a originalidade?
Paradoxalmente, por ninguém era ouvido este homem que tanto merecia ser ouvido.
Paradoxalmente, o chamavam de louco,
porque tinha o bom senso de acreditar que devemos pensar com nossa própria cabeça,
porque tinha o bom senso de propor uma educação para todos e uma América de todos, e dizia que aquele que não sabe, qualquer um o engana e aquele que não tem, qualquer o compra.
Porque tinha o bom senso de duvidar da independência de nossos países recém-nascidos:
- Não somos donos de nós mesmos – dizia. Somos independentes, mas não somos livres.

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Quinze anos depois da morte do louco Rodríguez, o Paraguai foi exterminado. O único país hispano-americano verdadeiramente livre foi paradoxalmente assassinado em nome da liberdade. O Paraguai não estava preso na jaula da dívida externa, porque não devia um centavo a ninguém, e não praticava a mentirosa liberdade de comércio, que nos impunha e nos impõe uma economia de importação e uma cultura de impostação.
Paradoxalmente, após cinco anos de guerra feroz, entre tanta morte sobreviveu a origem.

Segundo a mais antiga de suas tradições, os paraguaios nasceram da língua que lhes deu nome, e entre as ruínas fumegantes sobreviveu essa língua sagrada, a língua primeira, a língua guarani. E em guarani ainda falam os paraguaios na hora da verdade, que é a hora do amor e do humor.
Em guarani, ñe’ significa palavra e também significa alma. Quem mente a palavra, trai a alma.
Se te dou minha palavra, me dói.

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Um século depois da guerra do Paraguai, um presidente do Chile deu sua palavra, e se deu.

Os aviões cuspiam bombas sobre o palácio do governo, também metralhado pelas tropas de terra. Ele havia dito:

- Eu, daqui, não saio vivo.

Na história latino-americana, é uma frase freqüente. Foi pronunciada por uns quantos presidentes que depois saíram vivos, para continuarem pronunciando-a. Mas, essa bala não mentiu. A bala de Salvador Allende não mentiu.

Paradoxalmente, uma das principais avenidas de Santiago do Chile se chama, ainda, Onze de Setembro. E não tem esse nome pelas vítimas das Torres Gêmeas de Nova York. Não. Leva esse nome em homenagem aos verdugos da democracia no Chile, com todo respeito por esse país que amo, me atrevo a perguntar, por puro senso comum: Não seria hora de mudar o nome? Não seria hora de chamá-la Avenida Salvador Allende, em homenagem à dignidade da democracia e à dignidade da palavra?

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E saltando a cordilheira, me pergunto: Por que será que Che Guevara, o argentino mais famoso de todos os tempos, o mais universal dos latino-americanos, tem o costume de continuar nascendo?

Paradoxalmente, quanto mais o manipulam, quanto mais o traem, mais nasce. Ele é o mais nascedor de todos.

E me pergunto: Não será porque ele dizia o que pensava, e fazia o que dizia? Não será que por isso continua sendo tão extraordinário, neste mundo onde as palavras e os fatos muito raramente se encontra, e quando se encontram não se saúdam, porque não se reconhecem?

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Os mapas da alma não têm fronteiras, e eu sou patriota de várias pátrias. Mas, quero culminar esta pequena viagem pelas terras da região evocando um homem nascido, como eu, aqui por perto.

Paradoxalmente, ele morreu há um século e meio, mas continua sendo meu compatriota mais perigoso. Tão perigoso é que a ditadura militar do Uruguai não pôde encontrar uma única frase sua que não fosse subversiva, e teve que decorar com datas e nomes de batalhas o mausoléu que ergueu para ofender sua memória.

A ele, que se negou a aceitar que nossa pátria grande se rompesse em pedaços;
a ele, que se negou a aceitar que a independência da América fosse uma emboscada contra seus filhos mais pobres,
a ele, que foi o verdadeiro primeiro cidadão ilustre da região, dedico esta distinção, que recebo em seu nome.
E termino com palavras que lhe escrevi há algum tempo:

1820, Paso del Boquerón. Sem voltar a cabeça, você afunda no exílio. O vejo, estou vendo-o: desliza do Paraná com agilidade de um lagarto e afasta flamejando seu poncho esfarrapado, ao trote do cavalo, e se perde na mata. Você nos diz adeus à sua terra. Ela não acreditava. Ou, talvez, você não sabe, ainda, que parte para sempre.

A paisagem fica cinza. Você vai, vencido, e sua terra fica sem alento.
Lhe devolverão a respiração os filhos que nascerem, os amantes que chegarem? Os que dessa terra brotam, os que nela entram, serão dignos de tristeza tão profunda?
Sua terra. Nossa terra do sul. Você lhe será muito necessário, don José cada vez que os ambiciosos se lastimarem e a humilharem, cada vez que os bobos a considerarem muda ou estéril, você fará falta. Porque você, don José Artigas, general dos simples, é a melhor palavra que ela pronunciou.


(IPS/Envolverde)
* Eduardo Galeano, escritor e jornalista uruguaio, autor de As veias abertas da América Latina, Memórias do fogo e Espelhos/Uma história quase universal.

Montevidéu, julho/2008

quarta-feira, 2 de julho de 2008

FLIP


Teve início hoje a 6ª edição da Feira Literária Internacional de Parati - a FLIP.

Em agosto de 2003, a Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) tornou-se a caçula da família de importantes festivais literários como Hay-on-Wye, Adelaide, Harbourfront de Toronto, Festival de Berlim, Edimburgo e Mântua. Com a presença de autores mundialmente respeitados, como Julian Barnes, Don DeLillo, Eric Hobsbawm e Hanif Kureishi, a primeira FLIP estabeleceu um padrão de excelência às edições seguintes. Em um curto período, ficou conhecida como uma das principais festas literárias internacionais, sendo reconhecida pela qualidade dos autores convidados, pelo irresistível entusiasmo de seu público e pela descontraída hospitalidade da cidade.

A FLIP já recebeu alguns dos grandes nomes da literatura mundial, como Salman Rushdie, Ian McEwan, Martin Amis, Margaret Atwood, Paul Auster, Anthony Bourdain, Jonathan Coe, Jeffrey Eugenides, David Grossman, Lidia Jorge, Pierre Michon, Rosa Montero, Michael Ondaatje, Orhan Pamuk, Colm Toíbín, Enrique Vila-Matas, Jeanette Winterson, J. M. Coetzee e Marcello Fois.

Dos brasileiros, alguns dos autores mais talentosos já estiveram na FLIP, como Ariano Suassuna, Ana Maria Machado, Milton Hatoum, Millôr Fernandes, Ruy Castro, Ferreira Gullar, Luis Fernando Verissimo, Zuenir Ventura, Barbara Heliodora, Ruy Castro e Lygia Fagundes Telles, além de ícones da cultura brasileira como Chico Buarque e Caetano Veloso.

Com um repertório eclético de convidados – do dramaturgo inglês Tom Stoppard à psicanalista Elisabeth Roudinesco, do quadrinhista Neil Gaiman à roteirista argentina Lucrecia Martel –, a sexta edição da FLIP confirma mais que nunca sua vocação a mercado cosmopolita de todo tipo de idéias manifestadas através da palavra escrita.

A cada ano a FLIP homenageia um expoente das letras brasileiras. No primeiro ano, em 2003, celebrou-se o poeta e compositor Vinicius de Moraes (1917-1980). João Guimarães Rosa (1908-1967) foi o homenageado no ano seguinte. Em 2005 foi a vez de Clarice Lispector (1920-1977), em 2006, do baiano Jorge Amado (1912-2001), e, em 2007, do jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues (1912-1980). Em 2008, ano do centenário da morte de Machado de Assis (1839-1908), a FLIP presta homenagem ao grande escritor carioca.

Para saber, acesse o site oficial do evento.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Sobre a questão da Cultura

Um Brasil rico não basta

Apesar da crise internacional que se avizinha, com a queda das bolsas, o preço do petróleo, a estagnação econômica prevista para algumas grandes potencias, a inflação que se insinua universal, a crise energética e ambiental, o Brasil se projeta para ser uma grande nação nos próximos vinte anos.

Temos, como se sabe, um espaço privilegiado para a produção de commodities agrícolas, possuímos reservas imensas de petróleo, temos água para produzir energia limpa, conhecemos a melhor perspectiva para a produção de etanol, sem prejuízo para a agricultura, construímos um parque industrial bastante maduro, um sistema financeiro sólido, tanto do ponto de vista tecnológico quanto de serviços. Isso tudo, aliado a uma população etnicamente generosa e politicamente aberta, possibilita o advento de uma grande nação com características adequadas a este novo período da história universal.

Contudo, a relativa ignorância cultural de nossa burguesia, o atraso educacional quase endêmico e o distanciamento das classes sociais, pode desfigurar todas essas perspectivas e oportunidades. Podemos dizer inicialmente que a principal questão e que antecede à precariedade educacional é o problema da cultura.

O poder político e as elites econômicas não dão a menor bola para o desenvolvimento cultural e a criação artística. Consideram essas questões dois acidentes, ora para perturbar a cabeça dos jovens, ora para enfeitar o supérfluo da estética burguesa. Quando não caem na grosseria de achar que cultura é coisa de comunista e de veado. Sobra-lhes no máximo a fruição social dos eventos do mercado comercial da arte e o uso inadequado dos incentivos fiscais para suas empresas.

Claro que essa avaliação pessimista tem suas exceções, como tudo o que se quer demonstrar.

Mas isso precisa mudar para que o Brasil seja uma grande potência e a América Latina uma oportunidade. A União Européia não começou com a unificação da moeda. Terminou. Começou com um profundo ajuste cultural entre nações tão diversas quanto inimigas. Ajuste no interior e na fronteira das nações.
Como nosso povo é senhor de uma imensa criatividade e nossas instituições tem virtudes para assumir o melhor, falta apenas uma política cultural que não atrapalhe a vocação natural do homem e da sociedade brasileira para produzir arte e conhecimento.

A crise da TV Brasil e a incompreensão política com relação à TV Cultura são provas disso

fonte: blog do Jorge da Cunha Lima

Ainda sobre Hegel & Deus

Ontem à noite, eu, Fábio, e outros dois amigos, fomos a um bar, onde repetimos a discussão iniciada neste blog sobre a crença em Deus por parte de Hegel (e de Kant, por tabela).

Fábio insistia que ambos os filósofos acreditavam em Deus, que tal crença é um fato histórico. Eu discordava, alegando que eles viveram num período em que negar a existência de Deus significava serem excluídos do mundo acadêmico, e que, em suas obras, a forma como definiam "Deus", era tão abstrata e impessoal, que poderia ser substituída por "Natureza", "Real", ou outro conceito semelhante. E que, portanto, não se podia afirmar que eles acreditassem num Deus pessoal, bíblico, por assim dizer.

E dispostos a obedecer a nova "lei seca", como estávamos dirigindo, decidimos não beber. Tomamos, os quatro, três garrafas de coca-cola (água suja do imperialismo ianque!), de dois litros cada.

Um rapaz, de uma mesa ao lado, ao passar por nós, percebeu que consumíamos apenas refrigerantes, e ouviu a discussão sobre Hegel, Kant, o Ser e o Nada. Ao voltar para sua mesa, disse para seus colegas:

"Nossa, o pessoal daquela mesa tomou três tubos de coca-cola e ficou muito louco!

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Allende vive!


Homenagem aos 100 anos do nascimento do combatente Salvador Allende, ex-presidente do Chile, do Partido Unidade Popular.

http://www.telesurtv.net/noticias/afondo/especiales/100_allende/

Vale a pena assistir: A Batalha do Chile.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Quem tem medo dos livros de Paulo Freire, Florestan Fernandes, José Martí, Che Guevara e do pedagogo russo Anton Marenko?

Quinta-feira, 26 de junho de 2008
Valor
Pág. A10
Política
A Guerra Fria do MP gaúcho
Maria Inês Nassif

Seria uma caricatura, não fosse sério. Um relatório secreto do Conselho Superior do Ministério Público do Rio Grande do Sul decreta guerra ao MST, prega dissolver o movimento a bem da "segurança nacional" e define linhas de ataque ao movimento. A ata secreta de reunião no dia 3 de dezembro do ano passado revela que o Conselho constituiu uma força-tarefa para "promover uma ação civil pública com vistas à dissolução do MST e a declaração de sua ilegalidade". A diretriz, que está sendo executada de forma articulada com a Justiça e a Brigada Militar, é a de acuar o movimento em várias frentes: proibir marchas e deslocamentos em massa dos sem terra; investigar os integrantes de acampamentos e dirigentes quanto ao uso de verbas públicas; intervir nas escolas do MST; impedir a presença de crianças e adolescentes nos acampamentos; nos assentamentos, comprovar desvios de finalidade da terra; promover investigação eleitoral "nas localidades em que se situam os acampamentos controlados pelo MST, examinando-se a existência de condutas tendentes ao desequilíbrio deliberado da situação eleitoral" e atuar para cancelar os títulos de eleitor dos assentados.
A decisão teria de ficar sob sigilo por 10 anos, mas veio a público quando foi anexada como prova de uma denúncia feita à Justiça pelo MPE contra acampados do MST em duas áreas cedidas por proprietários na proximidade da Fazenda Coqueiros - a inicial da ação esclarece que os promotores tomam essa iniciativa baseados na diretriz do Conselho. Também foi anexado um relatório do Serviço Secreto da Brigada Militar (PM2). A ofensiva do Ministério Público, a pronta anuência de juízes e uma rápida mobilização de efetivos da Brigada Militar montam o cenário de uma Guerra Fria particular: o MPE aciona a Justiça usando um discurso ideológico; o juiz decide em favor da preleção dos promotores; a Brigada Militar responde prontamente às ordens judiciais.
As sentenças obtidas até agora são um cerco político ao movimento: uma proíbe a manifestação política de acampados em terra do Incra; outra, de um juiz eleitoral, suspende os títulos de eleitores de acampados em Coqueiros; uma ação do MPE relativa à ocupação do horto florestal da Fazenda Barba Negra denuncia 37 integrantes da Via Campesina por dano, furto, cárcere privado, formação de quadrilha e lavagem dinheiro, inclusive pessoas que não estavam no local - um deles o líder nacional do MST, João Pedro Stédile; as escolas dos assentamentos estão sendo desativadas. Em janeiro, uma pronta sentença do juiz, favorável a ação proposta pelo MPE - a pretexto de investigação de um furto de uma máquina fotográfica, um anel e R$ 200 - permitiu à polícia identificar os 1200 participantes do 24º Encontro Estadual do MST. É esse o quadro: a ação articulada e rápida do MPE, da Justiça e da polícia gaúchas está cassando direitos civis e políticos de cidadãos brasileiros. Inclusive o direito ao voto.
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Justiça cassou títulos eleitorais
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O conteúdo ideológico dessa ofensiva está claramente estampado nos autos de processos e em documentos judiciais. A linguagem é tão contundentemente ideológica que é difícil encarar o MPE e a Justiça do Rio Grande do Sul como partes neutras de um conflito. Na inicial da ação civil pública apresentada pelos promotores Luís Felipe de Aguiar Tesheiner e Benhur Biacon Júnior, pedindo a desocupação dos dois assentamentos do MST próximos à Fazenda Coqueiros, eles rezam submissão à orientação do Conselho Superior de "dissolver" o MST e tecem um longo arrazoado sobre subversão. Definem o movimento como "uma organização revolucionária que faz da prática criminosa um meio para desestabilizar a ordem vigente"; asseveram que "já existem regiões do Brasil dominadas por grupos rebeldes"; apontam como indício de subversão "a doação de recursos por entidades estrangeiras, como a organização Cáritas, mantida pela Igreja Católica". A peça ideológica informa que outros dois promotores estaduais fizeram um "notável serviço de inteligência" no MST, e essa arapongagem concluiu que o movimento social tinha uma "estratégia confrontacional", que seria comprovada pelo material apreendido em acampamentos: livros de Paulo Freire, Florestan Fernandes, José Martí, Che Guevara e do pedagogo russo Anton Marenko. De acordo com os promotores, é prova de intenção de atentar contra a segurança o uso de frases como "a construção de uma nova sociedade", "poder popular" e "sufocando com força nossos opressores". Afirmam também que o MST usa de "fraseologia agressiva, abertamente inspirada em slogans dos países do antigo bloco soviético".
Como verdades, são citados dois relatórios do Serviço Secreto da Brigada Militar (PM2). Num deles, o coronel Waldir Reis Cerutti garante que o MST é financiado pelas Farc. "Análises do nosso sistema de inteligência permitem supor que o MST esteja em plena fase executiva de um arrojado plano estratégico, formulado a partir de tal "convênio" (com a Farc), que inclui o domínio de um território em que o governo manda nada ou quase nada, e o MST e a Via Campesina, tudo ou quase tudo". A inicial da ação do MPE não cita, todavia, conclusão de inquérito da Polícia Federal, que não encontrou nenhum indício de ligação do MST ou da Via Campesina do Estado com o movimento guerrilheiro colombiano.
O MPE, a justiça e o governo gaúcho (com sua polícia) atiraram-se numa marcha da insensatez, usando perigosamente instituições democráticas para restringir o direito de associação e de manifestação política e o direito ao voto. Esse é um preço que o MST gaúcho pode pagar agora, mas o país todo paga também no futuro. Incentivar a histeria da direita com discurso de fazer inveja aos militares que comandaram o país entre 1964 e 1985 é um caminho a ser evitado. Pode parecer simplesmente ridículo estimular ofensivas contra movimentos sociais com discursos anti-subversivos. É ridículo, de fato, mas não só isso: é igualmente perigoso.

Maria Inês Nassif é editora de Opinião. Escreve às quintas-feiras

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Estudo relaciona descrença religiosa a QI alto

Divulgado pela BBC-Brasil:

Um artigo de pesquisadores europeus, que será publicado na revista acadêmica Intelligence em setembro, defende a tese de que pessoas com QI (Quociente de Inteligência) mais alto são menos propensas a ter crenças religiosas.

A conclusão é baseada na compilação de pesquisas anteriores que mostram uma relação entre QIs altos e baixa religiosidade e em dois estudos originais.

Os autores concluíram que em apenas 23 dos 137 países a porcentagem da população que não acredita em Deus passa dos 20% e que esses países são, na maioria, os que apresentam índices de QI altos.

Os autores argumentam que essa relação entre QI e descrença religiosa vem sendo demonstrada em várias pesquisas na Europa e nos Estados Unidos desde a primeira metade do século passado.

Eles citam, também, uma pesquisa de 1998 que mostrou que apenas 7% dos integrantes da Academia Nacional Americana de Ciências acreditavam em Deus, comparados com 90% da população em geral.

Uma das hipóteses que o estudo levanta para tentar explicar a correlação entre QI e religiosidade é a teoria de que pessoas mais inteligentes são mais propensas a questionar dogmas religiosos "irracionais".

Com isso, o Fábio, que depois de estudar Hegel, quase estava se tornando religioso, deve mudar de idéia...

terça-feira, 24 de junho de 2008

do
Insuporstentabilidade (Mas eu tento!)

Agora tento ser verde. Agora fico bege em pensar alguém entrando em casa, tropeçando nas muitas sacolas plásticas de lixo que, mais um dia, eu esqueci de colocar lá fora, à disposição daqueles homens fortes e bem dispostos que correm a cidade com condicionamento de atletas. Eu ficaria bege caindo pro roxo se tentasse o mesmo pique. Além de não realizar coleta seletiva, emito fumaça tóxica o dia todo na atmosfera. Claro, depois que elas fazem uma graça nos meus pulmões. Será que ainda são dois?
Minha mãe ri, por torturantes segundos, quando me percebe repassando dados de um monte de órgão ambiental aos quais nunca dei ouvido. Eu também.
E me preocupo em atualizá-los. Mas penso nisso no trabalho, com o 34º copinho descartável de chá em mãos. Esta conta é duplicada pois, se não sustento a causa também não sustento um copo quente em mãos, e pego dois de uma só vez. Só desenvolvi a prática de sofrer a mudança de temperatura nas mãos com o gelado. Bem gelado. Se possível, sem colarinho.

Também nunca plantei uma árvore. E de pirraça, não clicava naquele site do Click-Árvore. Nunca espalhei uma mudinha que fosse na terra. Nem de Maria-sem-vergonha - já que não sei me portar frente à concorrência.

E se há a defesa de que todo mundo que mora sozinho precisa de um animal ou planta para se entreter, já adianto que quando não me suporto, me ignoro. Não confio em gente que entende o que diz as plantas e discute o relacionamento com o gato. Ambos. E não é por ser chata. É pelo meu panceticismo.

Mas se gasto mais de 30 minutos embaixo de um chuveiro pelando diariamente, sou redimida por não ingerir muito este recurso nos dias úteis. Se não fosse a desidratação dos dias de ressaca, minha cota seria a menor do que de muita gente ambientalmente correta que usa conta-gotas.
Ok! Eu fazia xixi nas águas do último rio inteiro do Estado de São Paulo (Rio Ribeira). Mas eu não sabia.
E semana passada gastei cerca de R$ 20,00 comprando bijuterias. O detalhe é que eram de papel reciclado. Sentiram? E não foi charme, foi por desejo mesmo. Fiquei muito desconfiada da artista-ambientalista-neohypada que me entregou as peças em uma sacolinha plástica. Disse a ela que não combinava com minha Eco-bag. Sim eu tenho uma, ou melhor, duas!

O mesmo consumo sustentável que anda insustentável em mim. Como parte de mim, temo ser “momento”. Mas no momento tomo Coca em minha canequinha verde. Não, ainda não saio com a dita cuja a tiracolo, pendurada naqueles barbantinhos bastante suspeitos. Mas já me aguça levá-la a uns passeios. Pôxa! Preciso me redimir com a quantidade de copos descartáveis que utilizo!
E para desespero da minha amiga Sandra, que tem planta, fala com gato, mas não levanta bandeiras à não ser de: Abaixo ao Mc Donalds! Encomendei uma camiseta da WWF.

Sim, eu ainda gasto muito papel diariamente. Ignoro àquelas mensagens que vêm na assinatura dos releases que me pedem para antes de imprimir a página pensar no impacto ecológico. Pôxa! Se eu não imprimir terei que decorar o tal release, não dá! Alguém já viveu a tortura de um deadline de jornal diário? E ter que gravar as entrevistas? Eu sei que é a forma mais segura, só que emburrece também. Sinto muito mundo, isto é mais difícil para mim. E papel reciclado é caro. E eu sou jornalista. De jornada dupla: jornal-bar, bar-jornal.

Agora uma boa causa no meio da causa ambiental é a quantidade de homem “bom” atrás das mais distintas bandeiras. Nunca tive fontes tão fortes, seguras, interessantes...enfim, em outras épocas de trabalho. Certo que eles são meio emperrados para falar. Temem a ignorância de nós, pobres generalistas. Especialistas em tudo um pouquinho, o mesmo que um monte de nada. Mas a resistência pode ser charmosa. O que custa perguntar pela octogésima vez a definição de Bioma, Biomassa, Biodiesel, o que quer dizer EIA/RIMA, e isto rima com o quê mesmo?
E o tal deve ficar tentando imaginar a mesma coisa que eu: Em que raio de lugar estava Maíra nas aulas de Física, Química, Biologia? Nem argumento que era da ala dos que estavam mais para as letras. Pensando na minha casa bem situada em uma lomba, de onde eu só escreveria.
Morar no mato não é de agora não. Mas agora já sei o melhor modo de fazer uma plantação em mandala. Para a irrigação, claro!
E agora também temo que, ter de plantar feijão no pó deixe de ser apenas um refrão do Elomar. Ai, o Elomar também é de antes dessa fase verde, por mais que não pareça.

Certo que domingo botei fogo para acender galhos secos e fazer uma pequena queimada. (Se a Cetesb e a Patrulha Verde questionar eu nego tudo!). Mas era para aquecer. E eu sabia que iríamos travar uma briga feia com a umidade da noite de baixíssima temperatura, de um fim de semana que só trazia o alerta de “úmido”.
Não fiz xixi na cama por mexer com fogo, mas meu pé amanheceu com uma estranha bolha. Poderia ser só o resultado de ficar a noite toda com o pé em cima de um graveto. Mas também um castigo.

Quando criança, ainda na pré-escola. E é importante frisar que foi nesta época que passei a reconhecer meus limites e a odiar as atividades de passar o macarrão dentro do barbante para fazer um colar, ou mesmo ladear os desenhos com feijão, pipoca ou papel cortado. Nunca tive coordenação motora. Nem paciência.
Passado estes maus momentos, um dia a ‘Tia Nenzinha “– A quem ainda chamo de tia, nunca descobri o seu nome verdadeiro, e ainda me olha como se eu tivesse quatro anos - chamou minha digníssima e orgulhosa mãe para falar sobre os disparates do seu pequeno ser na unidade escolar. Justo minha mãe que queria, de todas as formas, me transformar em uma Picasso de saias. Mas longas, para esconder o Picasso (Desculpem, perco o espaço mas não a piada de quinta,rs).
Enfim, mamãe teve uma grande desilusão, pois a tia havia falado para ela que eu era a única que não conhecia cores e era melhor ela ver se eu tinha algum POBREMA. Aí Dona Léa me puxou para um papo-cabeça, questionando pq raios eu havia pintado o rio e as montanhas da mesma cor: marron. Diferente dos meus colegas, espertos, astutos, coniventes e pouco críticos que sabiam que o rio era azul e a montanha era verde, pois formada de árvores.
Já decepcionada e quase dando pinceladas em mim, mamãe teve que ouvir da pequena ex-guru dos pincéis que o rio, que cortava a cidade, não era azul nem ali nem na China (Claro, sem esses argumentos). E que havia pintado apenas um pedaço da montanha que fica na entrada da cidade. Para a surpresa de mamãe, fomos até o local, onde ela percebeu que havia acontecido queimada – como é praxe – e as árvores estavam queimadas, não bem marrom, é certo, mas mais para o marrom do que para o verde dos desenhos dos meus astutos coleguinhas. Que nem se daltônicos veriam o Rio Ribeira azul. E nem ninguém.

E quem vai dizer que já não nasci insusten(por)távelmente ambientalista? Hum!
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PioreS*: Fóruns, palestras, simpósios, inaugurações em universidades e outros eventos de bandeira “ambientalismo+sustentabilidade” na city, tomados por copinhos plásticos. Sendo todos entupidos, utilizados, cuspidos, amassados e substituídos por mais outros. Claro, por aqueles que torceriam o nariz para meus banhos de 30 minutos.
P S*: Etiqueta: “A moda é ser sustentável”, que está nas Eco-bags produzidas localmente e que sustento e anda nas costas de várias sorocabacanas ecologicamente na moda, quer dizer, corretas.
Pois em vezes este blog é muito chato! (rs)

quinta-feira, 19 de junho de 2008

A inescrupulosa ofensiva da direita

Estou em Guararema, na Escola Nacional Florestan Fernandes, para um Seminário sobre "Criminalização da pobreza, repressão aos movimentos sociais e lutas na América Latina", com participantes latino-americanos, de diversos movimentos sociais. Hoje ouvi relatos de militantes do MST do Rio Grande do Sul que ressaltava a preocupação com a ofensiva do governo estadual, conservador e totalmente repressor. Como nos tempos da ditadura, querem tirar a legitimidade do movimento, uma clara intimidação aos militantes e uma medida de contenção social. Vejam abaixo o que ocorre e mandem apoio e solidariedade, pois num país que se diz "democrático" não podemos, enquanto povo que quer ser dono de seu próprio destino, permitir que essa criminalização dos movimentos sociais ocorra.
abraço,
Fernanda


NOTA DO MST- RS

Amigos e Amigas da luta pela terra,

Enviamos abaixo a Nota divulgada sobre os despejos ocorridos ontem em Coqueiros do Sul, em duas áreas que estavam cedidas às famílias acampadas. Gostaríamos de alertá-los que já existem pedidos do Ministério Público para despejo dos acampamentos de São Gabriel (de uma área que é pré-assentamento) e dos acampamentos de Nova Santa Rita e Pedro Osório, que estão em áreas de assentamento. Estes pedidos já se encontram com Juízes das respectivas Varas e poderão ser executados a qualquer momento.

Contamos com seu apoio neste momento de repressão, não apenas ao Movimento Sem Terra, mas ao conjunto dos movimentos sociais,

Um forte abraço e boa luta,

Coordenação Estadual MST-RS

UMA AÇÃO ORQUESTRADA CONTRA OS MOVIMENTOS SOCIAIS

Métodos e Argumentos do Ministério Público e da Brigada Militar ressuscitam a Ditadura Militar no Rio Grande do Sul.

No dia de ontem (17/06), centenas de famílias de trabalhadores Sem Terras foram despejados de dois acampamentos pela Brigada Militar do Rio Grande do Sul no município de Coqueiros do Sul. A duas áreas pertencem a pequenos proprietários e estavam cedidas para a instalação das famílias. Os Barracos e plantações foram destruídos, além das criações de animais, que foram espalhados, para que as famílias não pudessem leva-los. Cumprindo ordens do Poder Judiciário, as famílias foram jogadas à beira da estrada em Sarandi no final da tarde.

É preciso lembrar que este acampamento a beira da estrada para onde foram levadas, é o mesmo local de onde foram despejadas há um ano. Até quando estes trabalhadores vão permanecer lá? Quanto tempo levará até o próximo despejo?

O despejo de ontem não se trata apenas de mais um ato de violência e intransigência da Governadora Yeda Crusius e da Brigada Militar. Há um nefasto projeto político em curso no Rio Grande do Sul, envolvendo a proteção dos interesses de empresas estrangeiras, que são também grandes financiadoras de campanha, a supressão de direitos civis e a repressão policial. A ação faz parte de uma estratégia elaborada pelo Ministério Público Estadual para impedir que qualquer movimento social possa se organizar ou manifestar-se. Juntos, o Ministério Público Estadual e a Brigada Militar ressuscitam os métodos e práticas da ditadura militar, ameaçando qualquer direito de reunião, de organização ou de manifestação.

Na ação civil que determinou o despejo ontem, os promotores deixam claro sua inspiração pelo golpe militar de 1964, ao lembrarem que o golpe que restringiu as liberdades civis no Brasil, “ pacificou o campo”.

O despejo de uma área cedida, a ameaça de multa a seus proprietários se voltarem a apoiar o MST e as promessas de que novos despejos ocorrerão nos acampamentos em São Gabriel (num pré-assentamento), em Nova Santa Rita e em Pedro Osório (ambos em áreas de assentamentos) são decisões autoritárias que ameaçam não apenas o Movimento Sem Terra, mas estabelecem uma política de repressão para todo e qualquer movimento social.

Ao mesmo tempo em que os movimentos sociais são perseguidos e criminalizados, não se vê nada para recuperar os R$ 44 milhões roubados dos cofres públicos para o financiamento eleitoral no esquema do DETRAN.

Da mesma forma, quando grandes empresas estrangeiras criam empresas-laranjas e adquirem terras ilegalmente no Rio Grande do Sul, que somente agora foram indeferidas pelo executivo, não se vê nenhuma ação do Ministério Público, judiciário ou do executivo estadual.

No ano passado, após a Marcha à Fazenda Guerra, o Ministério Público propôs um termo de ajuste onde o Poder executivo federal assumia o compromisso em assentar mil famílias até o mês de abril deste ano. Nos causa estranheza que não hajam mais cobranças do Ministério Público para o cumprimento do acordo, que este mesmo poder propôs. E ainda, que agora decrete o despejo das famílias, que poderiam estar assentadas e produzindo alimentos, caso o mesmo acordo tivesse sido respeitado.

Há interesses que ainda se encontram ocultos nas ações desta semana e nas medidas que o MPE anuncia. O certo é que a volta dos regimes autoritários e repressivos, a serviço de interesses obscuros, ameaça a todo o povo gaúcho.

Coordenação Estadual MST - RS

Na Contramão

Cada dia me preocupo mais com o conteúdo ideológico implícito nos estudos científicos.
Segundo o portal G1, um estudo belga comprova que os homens gastam mais dinheiro perante a insinuação sensual feminina. A manchete anuncia, como uma grande novidade, que não é só o corpo feminino que vende, mas qualquer referência a ele, como um biquíni ou uma lingerie.
Eu, sinceramente, não entendo o que leva um cientista a pesquisar se o fator estimulante é o corpo ou alguma referência a ele, pois a mensagem subliminar é a mesma: o feminino enquanto estratégia de venda, não enquanto ser humano.
A pergunta que não quer calar é: a quem serve esta pesquisa?
Certamente não é aos profissionais de humanas, que devem buscar a humanização, e não a coisificação do homem.
Esta pesquisa é muito útil a publicitários anti-éticos que buscam vender qualquer coisa a qualquer preço; aos capitalistas que, se pudessem, punham um código de barras na mãe e colocavam-na numa prateleira; às mulheres-objeto que querem se promover a qualquer custo.
Veja um trecho de uma entrevista da "boa" Juliana Paes à Revista TPM, na edição de janeiro de 2008:
"TPM: Você é a mais onipresente vendedora de cerveja do Brasil. Isso não faz de você uma mulher-objeto?
JP: Eu não, de jeito nenhum, o objeto é a cerveja! [Risos]"
Talvez, pra ela, seja muito divertida toda essa conjuntura: ela é linda, tem um corpo perfeito e condições financeiras para mantê-lo. Sim, financeiras, pois ninguém mantém uma imagem desse nível "bebendo dois litros de água por dia".
Por outro lado, mulheres de carne e osso, que não têm condições de bancar drenagem linfática, frango grelhado 3x por semana e estimulação russa, são obrigadas a conviver com depreciações machistas e têm sua auto-estima severamente abalada.
Agora a digníssima indústria de cerveja e sua garota propaganda podem rir ainda mais, pois tem um argumento científico - percebem o peso da palavra? - que legitima o corpo da mulher enquanto item de consumo. A pesquisa ignora o fator cultural como moldador do compotamento, apenas diz que "sim, a sensualidade feminina faz vender", como se fosse algo natural e imutável.
A matéria encerra com uma "brincadeira" absolutamente desnecessária do "cientista". "Objetos masculinos não parecem ter o mesmo efeito sobre as mulheres. `Os centros de recompensa neurais das mulheres não são tão ativados quanto os dos homens por esse tipo de estímulo´, afirmou Van der Berg. `Possivelmente, elas são ativadas por outros tipos de recompensas. Talvez, sapatos,´ brinca ele."
Podemos resumir em duas frases: A ciência diz que homens precisam de sexo e mulheres precisam de sapatos. Qualquer manifestação do contrário é anti-natural.
Isso é o que eu chamo de Psicologia Anti-Social.

domingo, 15 de junho de 2008

Maria Lucia Amary solicita promoção "post mortem" a oficial da PM envolvido com a repressão no regime militar de 64

Recentemente lembramos os 40 anos da promulgação do AI-5, que promoveu o endurecimento da repressão militar do golpe de 64, levando o Brasil a um regime de terrorismo de Estado.
Tivemos milhares de jovens torturados, mortos e desaparecidos.

Passadas quatro décadas ainda não sabemos o número exato de pessoas assassinadas e turturadas. Milhares de pessoas carregam no corpo feridas que a lembrança não deixa cicatrizar.
Lembrança de um tempo em que sonhar com um mundo melhor e ousar lutar por um país de todos e para todos era crime de terrorismo.

A Lei de Anistia (1979) na prática, permitiu a todos os oficiais da PM e do Exército escapar de um julgamento por seus crimes. Eles estão todos soltos gozando de uma pesada aposentadoria e aqueles que já embarcaram para as profundezas de Hades, puderam ainda deixar uma gorda pensão vitalícia para suas filhas.

Só recentemente o Estado assumiu sua responsabilidade e com o governo Lula, as vítimas começaram a ser indenizadas.

Na contramão da história política recente, a deputada sorocabana Maria Lucia Amary (PSDB), junto com o deputado Sérgio Olímpio Gomes (PV), esta solicitando ao governo do estado a promoção “post mortem” do Cap. da PM Alberto Mendes Junior ao cargo de Coronel, para que suas filhas possam receber a pensão de R$ 5.500,00. Alberto Mendes era um oficial da repressão, morto em combate com a VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) no Vale do Ribeira.
Na verdade, Alberto Mendes era Tenente e fora promovido também "post mortem" em 1970 à patente de Capitão, agora, M. L. Amary quer promovê-lo Coronel. Onde isso vai parar?
No mês passado o historiador Carlos Cavalheiro já havia denunciado que a deputada do PSDB apresentou um projeto de lei dando o nome de Francisco Moron Fernandes a um viaduto da Raposo Tavares, Moron Fernandes figura na história de Sorocaba como lider de um grupo integralista que perseguia e torturava operários anarquistas e comunistas na década de 30.

A deputada Maria Lucia Amary pertence a um partido que tem a social democracia no nome, mas parece ter saudades do regime ditatorial.
Mande um e-mail para a deputada: mlamary@al.sp.gov.br

Fonte: Site da deputada

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Fala baixo que eu sou cego e não surdo

Às vezes a gente custa a entender que um portador de necessidades físicas especiais é capaz de viver de maneira absolutamente normal, desde que sejam feitas algumas adaptações aos objetos e nos ambientes de uso público. Mas, do mesmo modo, é preciso que o restante das pessoas não só respeitem como também acreditem na capacidade do outro.

Certa vez eu andava pelo centro de Sorocaba e, ao passar por uma cabine de telefone, um moço deficiente visual pediu que eu lesse um número de telefone num cartão, querendo ajudar e ir além, peguei o cartão de sua mão e teclei eu mesmo o número no orelhão, por distração ou falta de coordenação motora teclei errado, eu havia falado o número e o moço então pegou o telefone da minha mão e me deu uma lição - teclou três vezes mais rápido do que eu, e certo.

Na Biblioteca Municipal trabalha um senhor chamado Carlos (deficiente visual), o famoso Carlão, conhecido de muita gente, ele se desloca rotineiramente por toda a cidade, utiliza transporte público, estuda, bate papo, enfim...

Hoje, entre um capítulo e outro de um obscuro livro de Hegel, resolvi esfriar a cabeça e sair da biblioteca. Fui pro jardim fumar um cigarro e dali, pude avistar de longe o Carlão chegando pra trabalhar, havia descido do ônibus e vinha lá tranqüilo caminhando, quando de repente, um homem muito bem intencionado se ofereceu para ajudá-lo e começou: “direita” “em frente” “esquerda” “não, direita” “em frente, mas cuidado”, “ai, não não ali”. Resultado, ele tropeçou em tudo quanto foi degrau e bateu em quase todos os obstáculos. Sozinho ele faria o caminho tranquilamente.

Lembrei de imediato do comediante e também deficiente visual Geraldo Magela ( "o ceguinho" ): “fala baixo seu burro, que eu sou cego e não surdo!”

segunda-feira, 9 de junho de 2008

A contradição social na música de Marcondes [Falcão] Maia

"Para mim uma coisa é um padre, um menino e um jegue. E outra coisa é um pneu de caminhão"

Nesse simples verso ele desnuda a estrutura social e expõe o cerne de um pensamento libertário e moderno. De um lado, temos três elementos agrupados, respectivamente o padre, o menino e o jegue. Que seriam esses elementos, aparentemente tão díspares, para estarem agrupados? Simples: o padre representa a tradição (clero secular), o menino a família (o fruto de uma relação estável), e o jegue a propriedade (a posse, ainda que modesta). Não escapou à nenhum leitor que chegamos assim à TFP - Tradição, Família e Propriedade, uma sociedade que prega valores conservadores.

Mas o que se opõe a isto?

O pneu de caminhão: a máquina, a modernidade, o progresso, a indústria. Contra o Brasil que anda no lombo de burro, o caminhão!

Por Renato

quinta-feira, 5 de junho de 2008

A Saga da Imigração

Uma experiência muito boa que tive nesses últimos meses foi estudar a imigração japonesa, graças ao trabalho que realizei para a revista História Viva, que editou três números especiais sobre a saga dos nipônicos.
Apesar de ser sansei, ou seja, da terceira geração, era ainda, para mim, uma história desconhecida. Pesquisei sobre os motivos que fizeram com que os japoneses saissem da terra do sol nascente em busca de trabalho no Brasil, sobre os choques culturais, a difícil adaptação nas lavouras de café e finalmente a conquista da autonomia com a aquisição de terras para cultivar e diversificar suas próprias lavouras, longe dos berros dos fiscais das fazendas.
Quem tiver interesse, já está nas bancas a edição nº 3 (Revista História Viva. Especial Japão 3).

"Eles vinham ocupar as terras inexploradas do país, nas lavouras de café que estavam em expansão no estado de São Paulo. Viajavam em famílias de pelo menos três pessoas aptas ao trabalho (não importando idade ou sexo), de acordo com as exigências firmadas entre os governos brasileiro e japonês. A exigência brasileira era decorrente da experiência anterior do país com os imigrantes italianos, que fugiam das fazendas sem cumprir seus contratos, acreditavam as autoridades, por serem solteiros".

(trecho de "A exploração do trabalho nos cafezais", História Viva. Edição Especial Japão nº 3, pág. 26.).

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Sorry Periferia


Gostaria de indicar a leitura do blog Sorry Periferia: "Um coice com ferradura de pelica" (click na foto)

Tal Marx, tal Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dia 26 de maio de 2008 chegou à mesma conclusão que Karl Marx em 1847. Lula denunciou: "Eu não vi nenhum produto reduzir de preço depois que acabou a CPMF. Parece que não foi passado para o custo do produto o 0,38%. Parece que aumentou o ganho daqueles que pagavam a CPMF. Se alguém souber de um produto que caiu de preço porque os empresários tiraram do preço os 0,38%, me avisa. Me diga, que vai merecer um prêmio". Lula ainda não se conformou com o fato do Senado ter acabado com a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira: "Em dezembro do ano passado tivemos uma derrota no Senado da República. Nós, embora tivéssemos maioria, assistimos aos senadores da oposição não deixarem passar a CPMF porque tínhamos lançado um programa chamado PAC da Saúde, onde iríamos investir mais R$ 24 bilhões para melhorar a saúde".

Num manuscrito titulado O salário, de dezembro de 1847 - na verdade, o rascunho das conferências que proferiu na Associação Operária de Bruxelas -, Karl Marx anotou: "A diminuição dos impostos não favorece em nada aos operários; no entanto, seu aumento os prejudica. O que tem de bom o aumento dos impostos nos países desenvolvidos desde o ponto de vista burguês é que arruina os pequenos camponeses e proprietários (artesãos etc.), lançando-os à classe operária".

Portanto, pode haver um lado bom nas manobras realizadas na Câmara para criar um novo tributo, chamado de Contribuição Social para a Saúde (CSS), com alíquota de 0,10%: a proletarização do pequeno e médio empresário, se a história, mais uma vez, der razão ao criador do socialismo científico.

Carlos Pompe, Jornalista e Curioso do mundo para o Oni presente.

domingo, 25 de maio de 2008

José Saramago e Blindness

José Saramago chorou quando terminou de assistir ao filme “Blindness”, baseado em seu romance “Ensaio sobre a cegueira”. Enquanto rolavam os créditos finais, disse que estava tão feliz quanto ao terminar de escrever o livro. O diretor Fernando Meirelles, ao seu lado, sapecou-lhe um beijo na careca.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Inversão de prioridades: nova unidade do SESC de Sorocaba custou o dobro do que custou o campus da UFSCAR na cidade.

Por Alexandre Leite Proença (21.05.08)
O jornal Cruzeiro do Sul de hoje, publica uma matéria sobre a inauguração da nova unidade do Sesc em Sorocaba. Uma informação semelhante já havia sido publicado, no último número da revista Provocare.
Ambas as publicações mostram fotos e as dimensões da nova unidade e também divulgam o valor que será utilizado nesta obra: 30 milhões de reais. Para a população ter idéia destes valores, basta dizer que para a instalação da UFSCAR em Sorocaba, foi gasto até agora cerca de 15 milhões de reais.
Este gasto mostra a total falta de bom senso e de compromisso com a população que mora na periferia de Sorocaba, pois além do gasto absurdo, a referida obra será construída em um dos bairros mais ricos de Sorocaba. Esta região não tem nenhuma necessidade deste tipo de investimento, pois a população que mora em seu entorno tem os recursos financeiros suficientes para resolver suas necessidades culturais via mercado.
Por que em vez desta obra faraônica, não são construídas mais unidades dos diversos bairros de Sorocaba, atendendo desta maneira, a grande maioria da população que não tem condições financeiras para poder desfrutar de uma cultura de melhor qualidade.
Isto demonstra a total inversão de prioridades existente em nossa cidade: os maiores investimentos são realizados nos bairro da burguesia e da classe média alta, e na periferia “o que dá para fazer”, o “resto”, pois onde já se viu fazer um investimento destes para os mais pobres.
Segundo o conceito vigente nos setores mais ricos, isto seria “jogar pérolas aos porcos”.
Nos bairros da periferia são construídas “pistas de caminhadas” desprovidas de maiores investimentos de infra-estrutura e nenhum investimento em profissionais habilitados, para atender a população.
Em nosso bairro localizado na zona oeste da cidade de Sorocaba, é isto que acontece, a “pista de caminhada” não tem nenhuma segurança, sendo que já aconteceram muitos casos de violência e estupros no local. E a prefeitura não coloca guardas municipais para garantir a segurança do local.
E apesar de ser uma das regiões que mais cresce, juntamente com a zona norte, nós não temos nenhuma escola técnica profissionalizante, que ajudaria em muitos os nossos jovens. E bastaria uma pouco mais de bom senso e visão menos mesquinha, destinando uma parte deste gasto faraônico de 30 milhões de reais, para a construção de escolas técnicas aqui na zona oeste, quanto na zona norte de Sorocaba.
O sistema S, age de maneira a inviabilizara o atendimento aos trabalhadores, pois também cobra preços absurdos na mensalidades da maioria das suas unidades de educação.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Único amor é hipocrisia


Danielle, mulher de François Mitterrand, escreveu ao povo francês depois das muitas críticas que recebeu por ter permitido que a amante do marido e a filha dos dois participassem da cerimônia fúnebre.

A carta, como diz o comentário anônimo que circula pela internet, “é um auto-de-fé no amor, na elegância, na generosidade e na lealdade a quem se ama”.

Veja a carta:

“Achar que somos feitos para um único e fiel amor é hipocrisia, conformismo. É preciso admitir docemente que um ser humano é capaz de amar apaixonadamente alguém e depois, com o passar dos anos, amar de forma diferente.

Não somos o centro amorável do mundo do outro. É preciso aceitar, também, outros amores que passam a fazer parte desse amor como mais uma gota d’água que se incorpora ao nosso lago.

É preciso viver sem mesquinhez, sem um sentido pequeno, lamacento, comum aos moralistas, aos caluniadores, aos paranóicos azedos que teimam em sujar tudo.

Espero que as pessoas sejam generosas e amplas para compreender e amar seus parceiros em suas dúvidas, fragilidades, divisões e pequenas paixões.

Isso é amar por inteiro e ter confiança em si mesmo.”

Danielle Mitterrand está com 83 anos.

fonte: blog do Favre

terça-feira, 20 de maio de 2008

E a Luta, Como Vai?

Recentemente tive a oportunidade de publicar, juntamente com o companheiro Lucio Costa, um artigo falando sobre a importância e as dificuldades da luta antimanicomial. (Revista Provocare, nº 12, dezembro de 2007).

Ontem, em razão da comemoração do Dia Nacional da Luta Antimanicomial (18 de maio), o vereador Dr. Antonio Sérgio Ismael (PT) convocou uma Audiência Pública na Câmara Municipal de Sorocaba, às 19h.

Compuseram a mesa representantes da Prefeitura, do Movimento Nacional, de Hospitais de Sorocaba e de associações em geral. Participaram do debate, também, trabalhadores da rede municipal de saúde mental, estudantes e professores universitários.

Impossível ignorar que houve uma certa polarização no debate. De um lado, pessoas que acreditavam na luta, apesar de todas as dificuldades (incluindo a falta de verba), de outro, os que achavam que estava tudo errado, que primeiro os hospitais precisariam de muita verba para se estruturarem, para depois trabalhar na re-inclusão dos pacientes na sociedade.

As explanações ficaram um pouco restritas a estatísticas, mas felizmente, no debate, o assunto se enriqueceu. A Profª Drª Valéria Lisboa, psicóloga e professora universitária (inclusive minha), lembrou que um detalhe importante era discutir-se o que era normal ou patológico. Contou que nos últimos anos aumentou drasticamente a prescrição de fluoxetina na rede pública; disse que era importante, acima de tudo, levar o debate da humanização para a formação acadêmica dos profissionais da saúde, para que a luta não vire uma simples burocracia.

Lucio Costa, presidente do C. A. de Psicologia da UNIP, perguntou como ficaria a situação dos manicômios judiciários; chegou-se a conclusão, infelizmente, de que o assunto que foge da alçada do Ministério da Saúde, pois este não tem poder nenhum sobre os internos que estão cumprindo pena. Comentou-se que em alguns locais já existem políticas de inclusão para criminosos com psicopatologias, mas isto depende totalmente da posição de cada juiz.

Uma profissional da rede pública lembrou que este não era o momento de discutir quem era a favor ou contra o movimento, pois este já estava instituído; o que tinha que ser debatido agora era quais os próximos passos a dar para que se construam cada vez mais CAPS, como favorecer a inclusão, etc.

A audiência encerrou-se por volta de 22h40, muitas divergências acabaram por ficar no ar devido ao pouco espaço de tempo. Escrevo, então, para colocar as minhas considerações acerca da atual conjuntura do tema.

Uma crítica foi unânime: a falta de verbas. A lei prevê uma série de cuidados para com o portador de transtorno mental que se tornam impossíveis de serem praticados, tanto no contexto hospitalar, quanto no sistema de CAPS, que ainda está sendo implantado.

Acontece que, enquanto os profissionais estão preocupados em debater o tema entre eles, a luta acaba ficando restrita a uma pequena parcela da população. O Plenário da Câmara, que já é pequeno, não chegou a lotar; um grupo de estudantes compôs o público. Sabemos que, sem pressão popular, a política não acontece.

Cabe a nós, então, levar o debate adiante. Precisamos deixar de lado a erudição e a vaidade, e falar de igual pra igual com o pedreiro e a dona de casa. À medida que o assunto toma visibilidade, fica mais fácil cobrar das autoridades, sejam elas municipais, estaduais ou federais.

domingo, 4 de maio de 2008

O Reducionismo e a Estereotipia na Mídia Tradicional

Acaba de passar no jornal da tv mais uma matéria ridícula criticando o sistema de seleção de alunos das universidades particulares.

Requentada é apelido, mas como nunca me pronunciei sobre o assunto aqui no blog, vou comentá-la.

Primeiro eles citam uma universidade como exemplo, no caso foi a UNIGRANRIO. Eles escolheram uma cujo sistema de aprovação é descaradamente ineficaz, mas há implícita uma crítica a vestibulares de universidades particulares em geral. Vestibular é modo de dizer, porque a maioria prefere o termo "processo seletivo".

Para tentar uma vaga na citada universidade, o aluno deve inscrever-se online, realizar a prova via internet na hora que quiser e o resultado vem por e-mail, meia hora depois. É óbvio que todos passam. Sendo assim, a equipe de reportagem, muito inovadora, convidou um grupo de crianças para realizar o teste e, claro, todos foram aprovados. Sim, eles foram superinovadores, afinal de contas, da última vez que uma matéria desse tipo foi veiculada (pelo mesmo jornal!), o "teste" foi feito com um analfabeto, e não com crianças. Muito originais.

Aí deram voz ao reitor da universidade. Ele foi muito enfático ao dizer que não dava o menor valor para os processos de seleção, e que, se dependesse dele, qualquer um poderia de matricular. É claro que sua fala foi cortada neste momento. Provavelmente, se ele pudesse terminar de falar, diria que a dificuldade em se inserir em determinada instituição não é termômetro para avaliar sua qualidade; que há, em toda e qualquer universidade, um processo de "seleção natural", assim como no mercado de trabalho, portanto, o fato de não haver um instrumento de seleção rígido não contribuía negativamente para a sociedade.

Mas não. A imagem que fica desta universidade (e de todas as outras onde todos são aprovados) é a de descompromisso com o ensino.

Não escrevo para defender universidades particulares, afinal, num sistema educacional ideal, todos teriam acesso gratuito do berçário ao doutorado, mas critico a mensagem subliminar de que o profissional formado pela particular é inferior ao da pública. Nada mais elitista, preconceituoso e medíocre.

Infelizmente, nada mais condizente com o atual contexto social. Numa sociedade onde é mais fácil ler um rótulo do que refletir, as pessoas que não entram numa universidade pública muitas vezes optam por perder anos das suas vidas em cursinhos ao invés de ingressar numa particular e se empenhar em ser um bom profissional. Muitos dos que têm condições de entrar numa pública (geralmente oriundos de colégios caros), aproveitam seus anos acadêmicos para cometer todo tipo de humilhação aos que não tiveram esta oportunidade, ao invés de usarem seus conhecimentos para o bem da população.

Os que entram em particulares, além do esforço natural para concluir o curso e se inserir no mercado de trabalho, têm sua auto-estima atacada a todo momento, e não raro precisam "provar" que podem ser tão competentes quanto os da pública.

Tudo isso chega a ser óbvio, mas a cada dia me certifico de que, pelo menos aqui, no capitalismo selvagem, universidade é troféu. O indivíduo passa a vida escolar se preparando, decorando tabela periódica, datas históricas e fórmulas matemáticas, ignorando outros aprendizados talvez mais importantes para sua vida, como noções de cidadania, convívio social e respeito ao próximo, para no final pegar seu prêmio: um diploma com o timbre de uma instituição de peso para emoldurar e pendurar na sua sala. Diploma esse que vai justificar qualquer ato que a pessoa venha a realizar profissionalmente, ainda que não traga benefício nenhum à humanidade.

Revista Provocare, número de Maio

A Revista Provocare acabou de sair da gráfica.

Editada pela jornalista votorantinense Luciana Lopez é um dos poucos veículos alternativos da cidade.

Mas como sempre o número é limitado, corram aos pontos de distribuição antes que acabe.
Entre os destaques, estão os textos sobre Banco de Alimentos de Sorocaba, enchentes do Rio Sorocaba, o artigo sobre Personagens do Terminal, um trecho histórico sobre a escravidão em Sorocaba, entrevista com gerente do SESC/SP, Danilo de Miranda, homenagem ao ator Paulo Autran, contos, poesias, entre outros. A capa aborda a questão da diversidade sexual.
A PROVOCARE é distribuída gratuitamente nos seguintes locais:
Sorocaba: Banca Campolim – Av. Antonio Carlos Cômitre, 672 / Revistaria Sorocaba - Shopping Sorocaba / SESC Sorocaba – Av. Washinton Luís, 446 / Padaria Buon Giorno – Rua Afonso Pedrazzi, 195 – Trujilo / Padaria Real – Rua da Penha, 1373 / Padaria Sabina – Rua Pereira da Silva, 1400 – Santa Rosália / Bar Depois – Cônego Januário Barbosa, 123 - Costela & Cia - Rua Fernando Silva, 38 - Jd Bandeirantes e Av. Barão de Tatuí, 1387 - Jd. Vergueiro / Mandala Bar - Rua Visconde de Taunay, 60 – Cerrado / Yoshis Restaurante – Rua Júlio Marcondes Guimarães, 189 – Campolim /Villa Moreno - Av. Domingos Júlio, 755 - Campolim / Transamérica Flat The First – Av. Prof. Izoraida Marques Peres, 193 – Campolim / Grand Hotel Royal – Av. Álvaro Soares, 451 / Grupo Imagem e Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região – Rua Júlio Hanser, 140 Votorantim: Banca Central – Av. 31 de março, ao lado da Prefeitura de Votorantim - Centro / Biblioteca Municipal - Boulevard Antônio Festa, 59 - Centro / Aquário Cultura – Av. Moacir Oséias Guitte, 41 - Centro / Auditório Municipal "Francisco Beranger" - em frente ao terminal de ônibus - Centro

sábado, 3 de maio de 2008

Felicidade sexual assegurada por lei

Constituinte equatoriana quer 'felicidade sexual' garantida por lei

Uma deputada constituinte governista no Equador propôs que o direito das mulheres à felicidade sexual seja garantido pela lei do país.

Maria Soledad Vela, que faz parte da Assembléia que está reescrevendo a Constituição do país, alega que as mulheres são tradicionalmente vistas apenas como objetos sexuais ou como reprodutoras.

Agora, segundo ela, as mulheres deveriam ter o direito de tomar decisões “livres, responsáveis e informadas” sobre suas vidas sexuais.

O objetivo expresso da Assembléia Constituinte é, entre outras coisas, tentar garantir uma melhor distribuição de renda e direitos para as comunidades indígenas e para os pobres.

Para Soledad Vela, as mulheres não deveriam ser deixadas de lado nesta lista.

Mas suas propostas provocaram uma intensa resposta – em sua maioria, sem surpresas, dos homens.

O deputado constituinte de oposição Leonardo Viteri acusou-a de tentar decretar “orgasmo por lei”.

Soledad Vela respondeu às críticas dizendo que nunca pediu o direito ao orgasmo, mas somente o direito de “desfrutar do sexo em uma sociedade mais livre, justa e aberta”.

BBC-Brasil

Companheira Maria Soledad:

Pode contar com nossa solidariedade e apoio irrestrito.

De nossa parte, nós, homens da esquerda latino-americana, de todos os matizes, buscaremos garantir a felicidade sexual de nossas camaradas.

Pedimos apenas um pouco de colaboração. E expectativas mais realistas.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Soracaba na História mundial

Em 1 de Maio de 1910 a cidade recebia de um homem que ajudaria a definir o destino das ideologias na Europa, Alceste De Abris.
Alceste De Ambris* foi dirigente da União Sindical Italiana e esteve no Brasil entre 1910 e 1911, fugindo da repressão em seu país.
Viajou pelo estado de São Paulo realizando palestras para os operários, estando em Campinas em Abril de 1910 e em Sorocaba no 1o de Maio do mesmo ano. Ao voltar para a Itália é eleito deputado em 1913.
Porém, durante a 1ª Guerra Mundial De Ambris teria se convertido ao nacionalismo e se tornado grande amigo e companheiro de Gabrielle de D`Annunzio, poeta e romancista, francês de nascimento e considerado o precursor do fascismo na Itália.
E em 1918 D`Annunzio era um comandante militar italiano e tomou com um exército de 2 mil voluntário a cidade de Fiume (hoje Rijeka na Croácia) aos franceses, na expectativa que a Itália a anexasse.
O governo Italiano não só recusou-se anexar a cidade como também atacou o pequeno exército que resistiu. D`Annunzio decide então criar o Estado autônomo de Fiume, fazendo de si “Duce” (ditador) e declarando guerra às potências.
A experiência foi efêmera mas D`Annunzio convidou Alceste De Ambris para redigir a constituição do novo Estado, esta peça seria a precursora da ideologia do fascismo, tendo grande influência sobre Mussolini.
*Infelizmente as fontes mais confiáveis que encontrei foram do Wikipédia sobre Gabriele D`Annunzio e sobre Alceste De Ambris. Sobre a presença de Alceste De Ambris em Sorocaba ver jornal O Operário (1909-1914)

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Estão lembrados do Fusca 51? Eis a Bróboleta 80'.




Do Jornal "O Dia"

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Última edição do Provocare FM

Entrevista com Fernandinho do bar Depois (26/10/2007)

Depois de exatos dois anos no ar pela Rádio Cruzeiro FM, o Programa PROVOCARE FM interrompe suas exibições hoje.
A estréia foi em 29 de abril de 2006, com a apresentação da Doutora em Comunicação, Míriam Cris Carlos, direção do jornalista Werinton Kermes, produção de Maíra Fernandes - que hoje é repórter do Jornal Cruzeiro do Sul, reportagens de Luciana Lopez, que posteriormente assumiu a produção do programa, trabalharam também Jarbas Santos, Laurentino Rodrigues e Edvaldo Pereira, na área técnica.
Nesse período, o PROVOCARE FM conquistou três prêmios jornalísticos. O último PROVOCARE FM vai ao ar pela Rádio Cruzeiro FM (92,3 Mhz) e pelo site http://www.cruzeirofm.com.br/ hoje (sexta-feira – 24 de Abril), às 13h, e será reprisado na terça-feira, dia 29, às 23h.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Uma blogueira socialista no governo espanhol


Anota aí. Tem 31 anos, blog, canal no YouTube, conta no Flickr e perfil no Twitter. Bibiana Aído é Ministra da Igualdade, do governo de José Luis Zapatero. Na Espanha, é conhecida como a ministra 2.0 e conta com um grande respaldo da blogosfera local.

Conforme comentei em outro post, mais cedo ou tarde, esse perfil de político que tem um conhecimento mais prático da rede vai aparecer, principalmente na hora em que essa geração que está crescendo junto com a web chegar aos centros de decisão.

Resta saber se essa postura de utilizar ferramentas de redes sociais será um diferencial daqui a alguns anos. Bem provável que não.

O que vale destacar no caso da ministra espanhola é que, pelo visto, o seu blog é atualizado por ela mesma e não por sua assessoria. Ela responde até a alguns comentários. E o mais importante - está utilizando essas ferramentas enquanto está no poder.

Pois, cá entre nós, são coisas diferentes. Um negócio é você usar essas plataformas de redes sociais enquanto está no poder.

Outra coisa é utilizar durante a campanha, como vem fazendo o Barack Obama e diversos outros candidatos para alcançar eleitorado.

A grande evolução mesmo é ser “social” no poder e não somente durante campanhas.

fonte: Tiago Dória

quarta-feira, 9 de abril de 2008

A quem possa interessar...

Este ano a Virada Cultural de São Paulo acontece dias 26 e 27 de abril. Resolvi escrever aqui alguns toques pra quem pretende ir até Sampa curtir a festa. Leiam com atenção, pois tratam-se de lições aprendidas por quem já se ferrou muito nesse evento.

- Monte sua programação com antecedência.
Ela já está disponível aqui. Nada mais chato do que pegar a programação na hora, não ter tempo de ler direito e deixar passar o show daquela banda que você adora.

- Ao se programar, leve em consideração a distância entre os locais.
Essa é outra dica meio babaca, mas ainda tem gente que acha que vai se locomover da Av. Paulista ao CEU Rosa da China em 5 minutos.

- Fuja do pop.
Não é preconceito. O fato é que pra assistir a um show de um artista muito conhecido, você precisa chegar ao local com horas de antecedência pra conseguir um lugar legal, se submeter a empurrões, baforadas de maconha, vomitadas, bêbados caindo sobre você, e todas as desvantagens de um lugar entupido de gente. Em 2006, foi assim no show do Cordel do Fogo Encantado, e em 2007, no Nação Zumbi. Cheguei em cima da hora, e a metros de distância do palco, mal ouvindo a música, ainda sofria com o empurra-empurra. Não cheguei a ver quase nada dos shows.

- Chegue com antecedência em locais com número limitado de pessoas.
Você corre o risco de ficar pra fora. Ano passado, no show da Central Scrutinizer Band, no Municipal, cheguei com 2h de antecedência e ainda assim peguei um lugar ruim.

- Aos bêbados, drogados e adolescentes em fase de auto-afirmação:
Saiba o seu limite. Se você beber/fumar/cheirar demais, além de perder o evento e correr risco de vida, pode atrapalhar a festa de gente que não tem nada a ver com isso. Não vomite na grama, porque ela pode ser a cama de alguém. Existem também banheiros químicos, pra que o centro de São Paulo não vire uma piscina de mijo às 6 da manhã. Deixe pra despirocar num final de semana comum.

- Cuidado com os pertences.
Leve só RG ou CNH na carteira. Dinheiro, sempre espalhado pelos bolsos/sapatos; evite andar com talão de cheques e cartões de crédito, você não vai usar. Acreditem, não é nada legal perder horas da virada sustando cartões no banco. Passei por isso em 2006.

- A gente quer comida, diversão e arte.
Se você vai com bolsa ou mochila, aproveite e leve alguma coisa tipo maçã, barra de cereal, frango com farofa... quanto menos você precisar parar pra comer em padarias ou lanchonetes, melhor. Ainda são poucas as que funcionam 24 horas, e elas costumam ficar abarrotadas de gente durante a madrugada. Já quanto as bebidas, não há porque se preocupar: em todo canto tem um ambulante vendendo de água a energético, e eles não costumam explorar no preço.

- Seja cara-de-pau...
... e faça contato com aquele amigo de São Paulo, pra que você tenha um lugar pra dormir se o cansaço apertar. Caso você não tenha ninguém, a grama do Anhangabaú, perto do palco de dança, é bem confortável.

- Observe os SEUS horários.
Pode não ser uma boa ver um filme iraniano às 9h, se você está acostumado a acordar tarde. Deixe as atividades mais "cabeça" pros horários que você acha que vai estar mais ativo.

- Esteja aberto.
O legal da virada é observar a mistura: de gente, de cores, de estilos, de sons... Quando tiver um buraco na programação, aproveite pra ver algo que você nunca viu: um show de rap, uma dança indígena... você pode se surpreender.

- Use roupas confortáveis.
Leve em consideração o tempo maluco de São Paulo, pra você não passar frio nem calor. Não pense que vai arrasar no visual descolado, porque na virada cultural, todo mundo é descolado. Ano passado, meu amigo foi sem sobrancelhas e nem chamou a atenção. Se quiser atrair olhares, vá de jeans, hering branca e um tênis que não seja all-star. Aí sim, as pessoas vão te olhar como se você fosse um alien.

- Não se sinta mal se não tiver companhia.
Já fui à Virada sozinha e acompanhada, e as duas experiências foram muito legais. Sozinha você tem mais autonomia pra fugir de uma atração que não tá gostando, ou desistir daquela outra porque tá com preguiça de andar até lá.

- Aproveite!!!
É só uma vez por ano...