sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

"Pogresso, pogresso..."

Bois comem grama, este foi o título de uma matéria do jornal Cruzeiro do Sul do último dia 18 de Janeiro, quando animais invadiram a pista de caminhada do bairro.
Sim, bois comem grama! só que a grama em questão é aquela, também chamada de "grana" ou esmeralda, e que a prefeitura vem plantando pela cidade toda, substituino as árvores de praças, canteiros e demais áreas públicas, logo não haverá mais árvores em Sorocaba, só grama e aos poucos a cidade vai se assemelhando a um grande campo de golfe, vai ver foi isso que encantou os organizadores da Copa Davis.

Mas como eu não gosto muito de golfe eu tenho uma idéia para dar utilidade a toda essa grama: já que ela não nos fornece sombra como as milhares de árvores que já foram cortadas, poderíamos pelo menos aproveitá-la como pasto e quem sabe Sorocaba volte a ser uma grande exportadora de mulas.
Dizem que a política de meio ambiente de Sorocaba é admirada por outros municípios do Estado, a esta afirmativa eu responderia: gostou? Pega pra você! e assim seriamos um grande exportador de tucanos também.
Na revitalização do Terminal Santo Antônio a prefeitura cortou a paineira centenária que havia no canteiro e plantou grama esmeralda no lugar, a paineira era um dos cartões postais da cidade (foto copiada do blog http://www.fazendoparte.blogspot.com/)

Sorocaba progride!

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Meu pedido foi atendido pela Urbes

Em Agosto de 2007 eu escrevi uma matéria na Revista Provocare abordando o transporte público na cidade. Havia sugerido que Sorocaba adotasse a tarifa de R$ 1,00 aos Domingos como forma de incentivar que as pessoas participassem de atividades culturais no município, como faz Curitiba. Com a tarifa atual o munícipe paga R$ 4,50 para ir a um teatro ou cinema, se for de ônibus.

Na verdade o interesse do município é econômico, aos domingos o sistema de transporte opera muito abaixo de sua capacidade. A redução da tarifa aumenta a circulação de pessoas e, mesmo com uma tarifa menor, a arrecadação ainda é maior.

Leia a matéria na Revista Provocare, n11

sábado, 26 de janeiro de 2008

Carta do Senhor Jesus aos Sorocabanos

Irmãs e Irmãos sorocabanos,

Vocês bem sabem que durante minha passagem terrena nunca tive a pretensão de acumular bens materiais ou dedicar-me a especulação imobiliária, sequer tive uma propriedade privada.
Agradeço de coração a doação feita por vocês, mas, entre outros motivos, com o novo aumento do IPTU fica inviável para eu residir em Sorocaba. Por isso desde já quero fazer a reintegração de posse a vocês, cidadãos sorocabanos. Reclamações ou pedidos para uma ajudinha na hora de pagar o carnê, favor ir ao 6° andar do Paço ou procurar qualquer vereador da base governista.
Saudações cristãs e que Deus os ajude

Postado por Danilo Calderon no blog Bah! Caroço em 23/01/2007 (veja aqui)

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Fascículo 7 da Coleção A história em cima dos fatos

Já está nas bancas o fascículo 7 - da coleção especial sobre ditadura militar - da editora Casa Amarela. Há uma reportagem minha sobre Alexandre Vannucchi Leme e Adriano Diogo, ambos da ALN e colegas do curso de geologia da USP.
Alexandre, sorocabano, foi torturado pela repressão e morreu numa cela do DOI-CODI, no dia 17 de março de 1973. Data em que Adriano, conhecido por MUG, foi preso. Nascido na Mooca, em São Paulo, Adriano também sofreu torturas e passou mais de um ano na prisão. Atualmente é deputado estadual pelo PT.

Ferik

domingo, 20 de janeiro de 2008

Moral ou Ética?


Lá pelos meus 15 anos, no curso técnico, tive aula de Ética e Cidadania com uma professora incrível chamada Renata Leocádia. Lembro-me com clareza de um dia em que ela abordou a diferença entre moral e ética. Não sei quais foram as fontes de estudo que a levaram a esta conclusão, tampouco se é a definição considerada oficial (já ouvi controvérsias), mas dentro de um assunto tão abstrato fica difícil achar um padrão universal. Sendo assim, adotei sua definição como correta porque pra mim faz muito sentido.

Ela definiu moral como um conjunto de valores de determinado grupo; já á ética seria uma conduta considerada correta universalmente. Por exemplo, dentro de uma família conservadora norte-americana dos anos 70, uma moça não deveria fazer sexo antes do casamento. Entretanto, em meio a um grupo de hippies do mesmo país e da mesma década, esta restrição não faria sentido. Isto são valores morais. Um exemplo de valor ético seria posicionar-se contra a escravidão ou a violência. Escravidão é escravidão em qualquer lugar do mundo, em qualquer cultura. Dizer que não é contra o trabalho escravo infantil do Nordeste brasileiro porque isto é costume de lá, não é respeitar as barreiras culturais, é omitir-se diante de uma questão ética.

Onde eu quero chegar com tudo isso?

A Anistia Internacional Sueca está promovendo uma campanha de conscientização contra a mutilação genital feminina, aquela operação bizarra que é costume em alguns países da África, onde a pré-adolescente é levada por alguém da família a um lugar sem a mínima condição de higiene e tem seu clitóris arrancado por uma lâmina enferrujada; em seguida sua vagina é costurada. Num lugar onde as mulheres são vendidas pelos pais, é uma intervenção vista por eles como vantajosa, pois valoriza a "mercadoria": além da moça ficar mais "apertada", ela não corre o risco de fugir com outro homem, porque sua capacidade de sentir prazer sexual praticamente foi embora com o clitóris.

Questão 1 - É problema da Suécia?

Sim. Com o aumento de imigrantes africanos no país (onde a intervenção é proibida), cirurgias ilegais se tornam um problema para a saúde pública. Além disso, há famílias que mandam as meninas nas férias para os países de origem, apenas para realizar a mutilação.

Questão 2 - É problema seu?

Sim. Aí vem a parte de não se omitir em questões éticas. Violência, machismo e mercantilização do corpo humano são condenáveis em qualquer meio. Usar o "respeito às barreiras culturais" para justificar tal atrocidade é a maneira mais covarde de dizer "tanto faz".

Epitáfio de Benjamin Franklin

Benjamin Franklin (Boston, 17 de Janeiro de 1706 — Filadélfia, 17 de Abril de 1790) foi jornalista, editor, autor, filantropo, abolicionista, funcionário público, cientista, diplomata, inventor e também foi um dos líderes da Revolução Americana.

Amante dos livros, compôs para si mesmo um epitáfio, que acabou não sendo usado:

O Corpo de
B. Franklin, Impressor,
Tal como a capa de um velho Livro,
Seu Conteúdo arrancado,
E despido de suas Letras e Dourados,
Jaz aqui, Alimento para os Vermer.
Mas a Obra não se perderá;
Pois irá, como ele acreditava,
Aparecer outra vez,
Em nova e mais elegante Edição
Corrigida e melhorada
Pelo Autor

domingo, 13 de janeiro de 2008

Quem disse que piada perde a graça com o tempo?

"O Janota"

"Um janota foi a uma livraria comprar um diccionario ele procurava a palavra Kagado na letra C. O livreiro que estava ao lado disse:
- O senhor esta equivocado. E’ na letra K e não na letra C que procura a palavra Kagado.
Janota: - Mas, como é que posso saber isso? De que serve um Diccionario sem indice?"
_______________________
Uma piada tirada do Almanach Ilustrado de Sorocaba: repositorio historico, literario e recreativo, com illustrações (1914). A grafia do nome dado ao réptil da família dos quelônios era feita com a letra K nessa época.

sábado, 12 de janeiro de 2008

Manual da Boa Moça (burra e submissa) - Parte I

É impressionante. Eu fico dias sem entrar na internet, e quando entro na minha caixa de e-mail, dou de cara com isso:
Fulana de Tal* - (Sem Assunto)
*Nome trocado para preservar a identidade da amiga.
N. da A. - sem assunto é um ótimo tema para esse e-mail.
(meus comentários em vermelho)
COISAS QUE SÓ UMA MULHER CONSEGUE:
1 - Fingir naturalidade durante um exame ginecológico.
Ah, sim. Tem um cara enfiando um cano na sua b*****, abrindo com uma manivela e espetando uma agulha no seu útero, mas a boa moça deve fingir naturalidade; afinal, a vagina é o órgão sagrado da reprodução, dane-se que é uma área hipersensível e particular do ser humano. É patrimônio do mundo, portanto, quem reclama ou faz caretas durante o exame é uma fêmea que ainda não reconheceu seu lugar na sociedade.
2 - Usar o poder de uma calça jeans para rediagramar a estrutura do corpo.
Mulher que se preze precisa conhecer essas táticas de rediagramação física. O jeans, diferentemente do caso dos machos que o utilizam por ser uma peça prática, que não precisa passar nem lavar todos os dias, deve ser usado pelas fêmeas para agradar o sexo oposto, ainda que seja desconfortável ou quente (quem já tentou usar jeans justo no verão sorocabano?). O importante é o bumbum empinadinho.
3 - Ter crise conjugal, crise existencial, crise de identidade crise de nervos!
Mulher tem vários tipos de crise, nisso eu concordo. Mas homem não. Homem não chora, não se pergunta sobre a vida, sobre as relações, etc. Homem que procura terapia é bicha. Todo o sofrimento humano foi canalizado por Deus para a mulher. (Eu achei que tínhamos passado da Idade Média!!!)
4 - Ser mãe solteira, mãe casada, mãe separada, mãe do marido.
Eu não sou mãe e nem pretendo (pelo menos por enquanto). Logo, não sou mulher. Fêmeas nascem para reproduzir e lavar roupa.
5 - Lavar a calcinha no chuveiro. E depois pendurá-la na torneira, para horror do sexo masculino.
Sem comentários.
6 - Rasgar a meia na entrada da festa.
Só uma mulher consegue rasgar a meia na entrada da festa. Será que é porque só mulher usa meia-calça?
7 - Sentir-se pronta para conquistar o mundo, quando está usando um batom novo!
Claro, a auto-estima depende da marca do seu batom.
8 - Chorar no banheiro, e ficar se olhando no espelho para ver qual melhor ângulo.
Essa eu não entendi. A pessoa fica procurando o melhor ângulo chorando no banheiro? Caramba, isso nunca me passou pela cabeça, será que eu não sou mulher? Vou verificar na minha certidão de nascimento, pera aí...
9 - Achar que o seu relacionamento acabou, e depois descobrir que era tudo tensão pré-menstrual. (Esta é perfeita!!!!)
???
10 - Nunca saber se é para dividir a conta, ou se é para ficar meiguinha.
Isso é algo sobre o qual o casal deve entrar num acordo. Eu trabalho, me esforço, estudo e pretendo continuar estudando muito para manter minha carreira, portanto acho justo dividir; acontece que algumas mulheres não concordam, afinal, elas fingiram naturalidade no exame ginecológico, vestiram um jeans apertado para agradar ao macho-alfa, compraram batom novo para aumentar a auto-estima e até procuraram o melhor ângulo para chorar! Agora o macho dominante tem que pelo menos pagar a conta, né?
11 - Dizer não, para ele insistir bastante, e aí ter que dizer sim!
Simplesmente porque boas moças só assumem que querem fazer sexo depois de muita insistência de seu homem. Mulheres honradas não sentem tesão.

Manual da Boa Moça (burra e submissa) - Parte II

SÓ AS MULHERES ENTENDEM:

1 - Por que é bom ter cinco pares de sapatos pretos.

Eu tenho quatro, contando os de verão e de inverno. (uma sandália rasteira, uma de salto, uma bota de salto comum e uma plataforma, que já saiu de moda). Ih, vou conferir de novo o campo "sexo" da minha certidão de nascimento.

2 - A diferença entre creme, marfim, e bege claro.

Tem diferença?

3 - Achar o homem ideal é difícil, mas achar um bom cabeleireiro é praticamente impossível.

Até porque a exigência da mulher deve ser muito maior sobre seu cabelo - que serve para atrair machos-alfa, do que sobre a qualidade das suas relações. Uma boa moça deve se contentar com o que vier, o que não pode é ficar solteira!

Manual da Boa Moça (burra e submissa) - Parte III e Conclusão

ORAÇÃO DAS MULHERES:
"Querido Deus, Até agora o meu dia foi bom: não fiz fofoca, não perdi a paciência, não fui gananciosa, sarcástica, rabugenta, chata e nem irônica. Controlei minha TPM, não reclamei, não praguejei, não gritei, nem tive ataques de ciúmes. Não comi chocolate. Também não fiz débitos em meu cartão de crédito (nem do meu marido) e nem dei cheques pré-datados. Mas peço a sua proteção, Senhor, pois estou para levantar da cama a qualquer momento... Amém!"
Concluindo: mulheres são fofoqueiras, impacientes, gananciosas, sarcásticas, rabugentas, chatas, irônicas, reclamonas, estressadas, histéricas, ciumentas, comedoras de chocolate e sem noção de economia.
Enquanto e-mails como estes forem repassados (por mulheres!!!) com naturalidade e bom humor, vai ser difícil evitar que uma mulher apanhe do marido sem considerá-lo normal, afinal, somos seres inferiores à serviço do gênero dominante, não é?!?
Eu me recuso a ter meu gênero negado por não saber a diferença entre três tonalidades da mesma cor ou não depender de maquiagem para ter auto-confiança. São essas definições burras e estereotipadas que alimentam a misoginia, o preconceito, a discriminação; e que contribuem para que regridamos cada vez mais nas conquistas feministas.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Relatórios de Graciliano Ramos

Em 1927 Graciliano Ramos foi eleito prefeito da cidade de Palmeira dos Índios, em Alagoas, cargo ao qual renunciou em 1930. Nos dois anos de mandato, enviou dois relatórios de prestação de contas ao governador do Estado.

Os relatórios chegaram as mãos de Augusto Frederico Schmidt, que identificou neles o talento do escritor. Foi atrás de Graciliano Ramos e perguntou se não teria um original guardado. Recebeu Caetés, que foi publicado um ano depois, dando início à carreira de um dos maiores ficcionistas brasileiros.

Recentemente, os “relatórios” de Graciliano Ramos foram publicados, em edição de bolso, pela revista Entre Livros, com prefácio de Ricardo Filho, neto do velho Graça.

O texto é delicioso, sendo impossível conceber que algo do tipo pudesse ser encontrado nos meandros da burocracia pública nos dias de hoje. Por exemplo, ao discorrer sobre os gastos com energia elétrica:

“A iluminação da cidade me custou 8:921$800. Se é muito, a culpa não é minha: é de quem fez o contrato com a empresa fornecedora de luz.”

A respeito dos gastos com telegramas:

“Relativamente à quantia orçada, os telegramas custaram pouco. De ordinário vai para eles dinheiro considerável. Não há vereda aberta pelos matutos, forçados pelos inspetores, que prefeitura do interior não ponha no arame, proclamando que a coisa foi feita por ela; comunicam-se as datas históricas ao Governo do Estado, que não precisa disso; todos os acontecimentos políticos são badalados. Porque se derrubou a Bastilha – um telegrama; porque se deitou uma pedra na rua – um telegrama; porque o deputado F. esticou a canela – um telegrama. Dispêndio inútil. Toda a gente sabe que isto por aqui vai bem, que o deputado morreu, que nós choramos e quem em 1559 D. Pero Sardinha foi comido pelos caetés.”

E por conclusão:

“Não favoreci ninguém. Devo ter cometido numerosos disparates. Todos os meus erros, porém, foram da inteligência, que é fraca.
Perdi vários amigos, ou indivíduos que possam ter semelhante nome.
Não me fizeram falta.
Há descontentamento. Se a minha estada na Prefeitura por estes dois anos dependesse de um plebiscito, talvez eu não obtivesse dez votos.”


Como já disse, um texto para ser degustado. Como todos os outros dele.

Ainda hoje me perguntou como as professores do ginásio conseguiam fazer Graciliano parecer chato. É uma proeza.

Em tempo: a fotografia acima é do arquivo do DOPS. Do DOPS do Estado Novo, que este é um país de ditaduras mil.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Cada uma que a gente ouve...

"A Matielli está cheio de ofertas..." - trecho de jingle de loja de material para construção.

Será que no curso de publicidade não tem aula de português?

sábado, 5 de janeiro de 2008

Pela estatização do Masp


Segue um link para o abaixo-assinado pela estatização do MASP. Hoje o museu pertence à uma sociedade de direito privado:

http://www.sosmasp.com.br/sos_masp.php

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Norman Mailer & O Diabo

Logo que este blog foi criado, fiz uma postagem sobre Norman Mailer. Se não me engano, sobre o livro "Os nus e os mortos". Alguns dias depois, Mailer morreu.

Dessa forma, o blog está condenado a ser protegido - ou assombrado - pelo fantasma de Norman Mailer. Pelo resto de nossos dias.

Assim, para aplacar a ira de nosso "padroeiro", sugiro a todos a leitura de matéria da revista Bravo! sobre o último livro dele: O Castelo de Floresta.

É uma espécie de biografia ficcional de Hitler, tratando principalmente de suas origens familiares. O narrador é um demônio, que seria também o responsável por provocar, ou sugerir, algumas das piores ações de Adi.

Isso mesmo: Adi. Até mesmo o anticristo tem um apelido carinhoso em sua família.

Reflexão otimista sobre o ano novo

A humanidade, a maior parte do tempo, é desprezível. O que não impede que algumas pessoas se destaquem.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Falando em Frida...


O Memorial da América Latina está desde sábado passado com uma exposição chamada Só Fridas.

Trata-se de uma homenagem de alunos e professores de uma escola pública de suplência do ensino médio à Frida Kahlo. A artista completa seu centenário agora, em 2007, e merece ser lembrada não só pelo seu incrível trabalho artístico, mas pela suas posições políticas e feministas.

Local: Memorial da América Latina (ao lado do metrô Barra Funda)

Espaço de exposições temporárias, Pavilhão da Criatividade.

15 de dezembro de 2007 a 10 de fevereiro de 2008.

Entrada franca.

Frida Cowlo



Minha preferida. Rio de Janeiro, outubro de 2007.
Clique para ampliar. (Para ampliar bastante e ver numa qualidade decente).

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

sábado, 15 de dezembro de 2007

Romances de celular

Chamados keitai shosetsu, em japonês, os "romances de celular" são narrativas curtas que muitas vezes contam com interação do leitor e são influenciadas pelos mangás, as histórias em quadrinhos de muito sucesso no país.

Seus autores, quase sempre adolescentes e jovens na faixa dos 20, escrevem para um público que vive grudado na telinha dos celulares.

De cada dez obras de ficção mais vendidas no primeiro semestre de 2007 no Japão, cinco começaram como "romances de celular", com tiragens médias que chegam a 400 mil exemplares, informa a imprensa japonesa.

Várias das histórias foram transformadas em livros impressos. Um exemplo é Koizora ("Céu-Amor", em tradução livre), a saga de um rapaz com câncer que rompe com a namorada para poupá-la de seu sofrimento. Publicada em livro, a obra vendeu mais de 1,3 milhão de exemplares e está para ser transformada em filme.

Os leitores das histórias de celular são, na maioria, alunas do ensino médio e mulheres na faixa dos 20, que no Japão costumam se comunicarem com mensagens de celular lidas na telinha no trajeto para a escola ou trabalho, ou em casa.

Como têm muitos diálogos e parágrafos brevíssimos para se acomodar ao tamanho da tela do celular, as histórias curtas não são vistas com bons olhos por autores tradicionais, que reclamam de falta de ambientação dos enredos, da precária descrição das cenas ou do fraco desenvolvimento de personagens.

fonte: BBC

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

O trabalho de Biondi!

Desde o primeiro artigo que li do jornalista Aloysio Biondi me apaixonei pela maneira com a qual ele traduzia os assuntos da economia para o dia-a-dia. Escrevia sobre economia de uma forma tão simples, didática e gostosa, que passei a acompanhá-lo em revista e no jornal Diário de São Paulo. Recortei inúmeros artigos, principalmente sobre as privatizações. Tenho todos, quase três anos, guardados em uma pasta azul.
Tenho também os livros que ele lançou pela editora Perseu Abramo, "O Brasil Privatizado". Biondi foi um mestre para mim. Infelizmente não tive tempo de realizar meu sonho de conhecê-lo pessoalmente.
Lembro que estava em casa, na minha cama lendo, se eu não me engano, era um sábado de manhã de julho de 2000. Quando meu ex-namorado me ligou dizendo, com um tom de voz cuidadoso, que tinha uma notícia ruim para me dar. Aloysio Biondi tinha morrido, parece que era enfarto. Lágrimas, garganta travada e um sentimento de miudeza me abateu.
Carinho imenso tenho por ti Biondi, por toda sua luta em fazer um jornalismo comprometido com a vida do povo. Obrigada por explicar detalhadamente, com muita disposição e dedicação, em seus textos, o escândalo da entrega do petróleo brasileiro, o caos programado da energia e ter feito o balanço do desmonte do Estado.

Para quem não conhece o trabalho desse brilhante jornalista, pode agora desfrutar da leitura dos principais materiais produzidos por ele, por meio do site que será colocado amanhã no ar:

A partir da próxima sexta-feira, dia 14 de dezembro de 2007, estarão disponíveis no endereço www.aloysiobiondi. com.br centenas de textos do jornalista, entre artigos, entrevistas e reportagens. O site também trará depoimentos de Biondi em áudio e vídeo, além de fotos de momentos marcantes de sua carreira e vida, homenagens ao autor e reproduções fotográficas de alguns de seus principais trabalhos.

Ferik

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Sobre o amor

"O curso do verdadeiro amor nunca foi sereno", já dizia Shakespeare, ou então Balzac, "As grandes paixões são raras como as obras-primas".

Terminei de ler "Sobre o Amor", de Leandro Konder. Ele trabalha com textos produzidos por 23 autores(as) consagrados (as), como Sócrates, Cervantes (de Dom Quixote, narrativa que deu início a um novo gênero, o romance), Shakespeare, Rosa Luxemburgo, Guimarães Rosa, Drummond e Flaubert, entre tantos outros escritores importantes da literatura mundial.
Só para dar água na boca, e na tentativa de incitá-los a essa leitura, apresento uns trechos:

No capítulo sobre Marx, Konder diz: "...na realidade o homem 'naturalmente' rico é aquele que sente com mais intensidade a necessidade interior de se realizar através de múltiplas manifestações vitais, isto é, aquele cuja atividade essencial sensível está carregada de paixão".
"O amor é uma 'maneira universal' que o ser humano tem de se apropriar do seu ser como 'um homem total', agindo e refletindo, sentindo e pensando, descobrindo-se, reconhecendo-se e inventando-se".

Baseado em Goethe ele revela: "O amor é a forma mais radical de 'ir ao outro', de se reconhecer intimamente num ser humano diferente".

No capítulo sobre o francês Fourier a passagem que destaco é: "E insistia em que não se obrigasse jamais um ser humano a realizar a mesma atividade durante mais de duas horas seguidas, porque isso contraria uma das paixões radicais: a paixão de variar, de 'borboletear'.

Hegel diz: "O amor é o sentimento da igualdade da vida" e ainda, "Nada de grande se realizou no mundo sem paixão".

O livro é da editora Boitempo. Gostoso de ler, não apenas por causa de umas boas citações, mas para refletir sobre as diversas interpretações do amor em obras clássicas e para fomentar ainda mais a vontade de conhecer ou revisitar personagens como Raskolnikov, Madame Bovary, Sancho, Macbeth, Riobaldo...

Ferik

Sugestão de leitura


Há os que já desertaram da esperança em nome de uma crítica tão resolvida e fechada nos seus termos que se torna sectária, na acepção rigorosa do termo, de separação artificial do que se decide na história. Há os que ainda cultivam a esperança como se ela fosse um jardim de ilusões, imune às contradições e, por isso, incapaz de dialogar democraticamente com a crítica.

De modo alternativo a estas atitudes, é preciso repor os direitos da esperança crítica. Estes treze ensaios, escritos na hora mais crítica, pretendem refletir sobre os fundamentos da experiência do governo Lula e do Partido dos Trabalhadores a partir de um diálogo com a consciência democrática e republicana dos brasileiros.

Instala-se, de princípio, uma narrativa de sentido, um romance de auto-formação da esquerda socialista e democrática brasileira. Configura-se a cena histórica: a relação dos que se formaram no espírito do imperfeito republicanismo do Estado brasileiro.

Identifica-se o mal estar de uma cultura, o pragmatismo, a institucionalização, o carecimento das pulsões utópicas. Retorna-se, então, às fontes culturais mais generosas da utopia de um Brasil justo, democrático e soberano. E a crítica da crise, então, busca o caminho programático de pensar um novo princípio democrático de transição ao socialismo, que possibilite solidarizar a experiência de governo do Brasil com o futuro recriado das identidades socialistas.

As lutas sociais e políticas na América Latina derrotaram a hegemonia neoliberal das décadas de 80 e 90. Vivemos um tempo carregado de grandes e novas possibilidades, de superação das seculares desigualdades, miséria, violência contra o povo, agregada agora à assustadora destruição ambiental de nossos territórios. Um tempo que deve ser bem aproveitado. O desafio é reencontramos uma ação política orientada por valores humanistas, fortalecida e encorajada por uma cultura socialista, democrática e internacionalista. Que nos empurre para o novo, que nos dê confiança e sentido de urgência para o futuro,que estamos a construir.

O trabalho que o Juarez oferece, permite aproveitar bem esse tempo. Traz com extraordinária qualidade e atualidade a reflexão militante sobre a democracia socialista. Socialismo e democracia, dois compromissos que juntos, dão sentido e organizam uma estratégia transformadora revolucionária. A leitura torna-se um prazer obrigatório, pois a cada capítulo, o texto nos alimenta de um entusiasmo, que só a compreensão das coisas a serem mudadas e as virtudes da mudança são capazes de oferecer. A esperança critica, de Juarez Guimarães, cidadão do mundo, nascido mineiro, preenche uma lacuna no pensamento da esquerda brasileira: e inscreve-se nas melhores tradições da nossa literatura política.


Miguel Rossetto

sábado, 8 de dezembro de 2007

O McDia comunista

Soube de fontes fidedignas que o ex-gabeirista e agora comunista leninista Gabriel Bitencourt esta totalmente integrado a vida partidária no PCdoB, a ponto de opinar na reformulação da afamada prática de atuação da juventude do partido.

Gabriel sugeriu recentemente a UJS (União da Juventude Socialista) que participe da próxima campanha do McDia Feliz, organizado pela rede de Fast Food McDonald`s, sendo de cada BigMac vendido a renda é revertida para uma instituição de caridade.

A língua e a imprensa (ou seria a língua da imprensa?)

Recebi um e-mail de um ciclo de palestras do curso de Letras da USP e notei que tem uma mesa sobre Manifestações de preconceito e intolerância lingüísticos pela imprensa. É um tema polêmico, e me permite pensar até que ponto nós jornalistas nos questionamos sobre o uso do termo "menor" para falar de um jovem da periferia, por exemplo. Será que fazemos uso desse termo por precisão na matéria? Ou só reproduzimos automaticamente algo que já lemos na imprensa e que no fundo é um preconceito, como se o jovem fosse sempre um criminoso menor de idade, mesmo que na dita reportagem ele não seja? Enfim, acho importante ir, assistir e se questionar sobre isso. Ciclo de palestras - Língua, Literatura e Inclusão Social13 e 14 de dezembro de 200714.12.2007 - das 10 às 12hMesa-redonda: Linguagem e Intolerância Manifestações de preconceito e intolerância lingüísticos pela imprensaProfessora Marli Quadros Leite (FFLCH/USP)As inscrições serão realizadas no dia do evento.Informações: apll@usp.brLocal: Prédio de Ciências Sociais - Sala 8 – FFLCH/USPAv. Professor Luciano Gualberto, 315Cidade Universitária – Campus Butantã

Liberdade de imprensa

Como observou de maneira brilhante Eduardo Galeano, existe “um divórcio exemplar entre a realidade real e a realidade dual” que explica o relacionamento da mídia com a construção de uma falsa noção de democracia que vem imperando na assim chamada "opinião pública", onde de um dia para o outro o lobo passa a cordeiro e o cordeiro a lobo, um psicopata do BOPE a herói, a pivô de um escândalo de corrupção capa da Playboy e, do mesmo modo, um adolescente da periferia (criminoso ou inocente) é reduzido a categoria de "menor" enquanto um delinqüente de classe média pode ser chamado de estudante.


Democracia e imprensa tem uma relação muito íntima, mas as vezes é uma relação invertida. A respeito do que vem acontecendo na Venezuela, eu tenho defendido o governo Hugo Chávez ultimamente, não pelo que ele é mas pelo o que ele representa, da mesma forma a imprensa mundial o vem atacando, não pelo que ele é mas pelo que ele representa, pois é verdade que o capitalismo mundial não esta sendo confrontado tão seriamente como afirmam os chamados "chavistas", o capitalismo não é tão indefeso como um cordeiro e tão pouco Chávez é um "lobo vermelho", mas o que ele representa é que causa calafrios em muitos editores de conglomerados midiáticos - a patuleia ignorante.

Eu já disse várias vezes que se a justiça funcionasse na Venezuela a RCTV teria sido fechada em 2002, quando atuou ativamente em favor do golpe de Estado que depôs o governo atual por 48 horas, e de fato, a justiça realmente não funciona, pois, a RCTV não foi fechada, sua concessão é que não foi renovada pelo presidente, como lhe era de direito renovar ou não. No Brasil também é assim, aliás a concessão da Globo esta para vencer, por quê não repensamos também o papel da Fundação Roberto Marinho no país? O governo Lula não parece acenar para esta possibilidade. Talvez esteja ai o motivo de todo o medo que a grande mídia incita contra o exemplo venezuelano.

Durante todo o ano os jornais diários de Caracas estamparam manchetes do tipo “Aqui não há liberdade de imprensa”, entretanto, sem que deixassem de circular um dia sequer, além disso, desde quando Chávez foi eleito em 1998 o único canal de televisão a ser fechado foi o Canal 8 (pró-chavez) durante o golpe de 48 horas, e não houve uma só nota de indignação no restante da imprensa, nem aqui no Brasil, nem na Europa.

"Que estranha democracia vivemos !" (Galeano)

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

O Artista e a Obra

Ontem finalmente assisti Closer, que passou na tv aberta em versão dublada. Já tinha alugado uma vez, mas o DVD veio com defeito! Acho que foi uma providência divina, porque tem que estar preparado psicologicamente pra esse filme. Se eu tivesse visto na época tinha desidratado de tanto chorar...
Não vou entrar em minúcias sobre o filme, até porque o texto ficaria enome e eu não tô a fim de dividir em sete partes de novo. O detalhe que eu preciso comentar é a trilha sonora, em particular uma música: "The Blower´s Daughter", conhecida por aqui como "É Isso Aí", versão de Ana Carolina & Seu Jorge.
Conhecia "É Isso Aí" há alguns anos, quando a música fez sucesso nas rádios. "The Blower´s..." eu já tinha ouvido, mas num contexto onde não houve tanto impacto quanto no filme. A versão de Ana Carolina é o tipo de música que você acha legal na primeira vez, legalzinha na segunda e insuportável a partir da terceira. Sempre achei que o problema fosse o refrão repetitivo, mas hoje notei a diferença que faz a interpretação do artista sobre a obra.
A versão original é um desabafo, não uma declaração de amor. Damien Rice canta como se estivesse com um nó na garganta, como aquelas frases que estão gritando lá no fundo, mas a gente não tem coragem de dizer: aí a voz sai curta, baixa, quase rouca. Fragilidade, aliás, que casa perfeitamente com a personagem de Natalie Portman em Closer, o que faz com que as cenas tenham, paradoxalmente, muita força.
Já Ana e Jorge fizeram uma outra leitura, bem mais popular. Ambos cantam com seus típicos vozeirões, prolongando as vogais: "Eu não sei paraaaaaaaaaaaaaaaaar de te olhaaaaaaaaar"... pronto. Acabou com a delicadeza da música e transformou em algo que provavelmente entrará numa coletânea brega daqui a uns 10 anos. Exagerado, dramático, histérico. Até o nome, que na tradução exata seria "A Filha do Vento", ficou popularesco: "É Isso Aí".
Por outro lado, existem outras releituras que melhoram a música. Um exemplo é "Vida Louca Vida", originalmente gravada por Lobão, toda rock´n´roll, depois gravada por Cazuza, em ritmo de balada. O próprio Lobão disse que detestou sua versão e "deu" a música pro Cazuza.
Dificilmente músicas traduzidas para o português ficam interessantes. Como exemplo, além da primeira citada, temos várias de Sandy&Jr. e muitas baladinhas regravadas por duplas sertanejas. Tem também "Back At One", regravada pela Ivete Sangalo. O que ocorre nesses casos, geralmente, é que a primeira versão já é ruim; diferentemente de "The Blower´s...". Acho que aqui, o problema foi adaptar uma obra que foi originada em outra cultura para o Brasil: não combinou...
E vocês, o que acham?

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Mudança no ministério da Cultura ou continuidade?

Conversei ontem com Gabriel Zaninello, chefe de gabinete (SP) do deputado federal Frank Aguiar (PTB), em um evento sobre pesca esportiva, realizado em Santo André. Assim que ele se apresentou eu emendei a pergunta “e aí, ele será o próximo Ministro da Cultura?”, até esqueci de me apresentar rsrsrs. E a conversa rolou assim mesmo.
Zaninello respondeu com certa confiança que aguardam apenas a aprovação do Plano Nacional de Cultura, que está para ser votado. Há também que considerar, é claro, a guerra de poder entre partidos. Frank Aguiar entraria no lugar do atual Ministro Gilberto Gil. Sobre a saída deste, Zaninello afirma: “Nós sabemos que ele está com muitos shows internacionais para fazer, até por causa do destaque que teve o nome dele enquanto Ministro”.
Sobre a diferença entre um Gil e Frank Aguiar o chefe de gabinete destaca que o deputado federal “toca forró, é mais para classe C,D e E. Não teria essa projeção internacional. Mas é Cultura. Se fosse a pasta de Educação não teria nada a ver conosco, mas Cultura sim”.

BOATOS
Caso seja aprovado o nome de Aguiar para Ministro é possível haver manifestação dos artistas. Por enquanto, tudo anda muito quieto. Mas o próprio Zaninello disse que houve um boato de que a atriz Fernanda Montenegro havia rejeitado o nome. “Acessei alguns sites, fiz uma busca para ver se encontrava alguma coisa sobre isso, mas não vi nada. Há muitos boatos", ressalta.

Ferik

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Futebol fez a produção industrial cair 0,5% nesta Segunda

O que causou esta queda da produção em apenas um dia, não foi, nem poderia ter sido, nenhum reflexo da política fiscal do governo, nem tão pouco tem relação com o Banco Central e muito menos com flutuação da moeda norte-americana.

Dessa vez o problema foi muito mais em baixo, no nível da “patuléia ali de baixo”, como diria o sociólogo e ex-presidente Fernando Henrique Cardoso; foi também um fenômeno que tem raízes culturais e estaria também relacionado à “microfísica do poder” de Foucault, talvez.

Podemos dizer que o que causou esta queda da produção industrial apenas em São Paulo, foi uma outra queda, a queda do Corinthians para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro de Futebol, pois, o coringão é o time do coração da maioria dos trabalhadores de São Paulo, ou seja, daquela peãozada que lota os estádio para ver o timão jogar.

Esses dias eu conversei com amigo da Sociologia e ele jura que existe uma pesquisa acadêmica que afirma que quando o Corinthians perde uma decisão importante a produção industrial cai, sei lá se é verdade, mas a hipótese é interessante, afinal o Corinthians é mesmo identificado como “time de peão”, no que concordo com muito orgulho.

No entanto, a queda pode até não existir e se existir deve afetar muito sensivelmente o PIB paulista, mas ela se abateu como um black-out financeiro sobre o meu coração.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Quero todos!

Continuando as dicas de leitura da Fer, vou aproveitar e fazer uma pequena propaganda grátis.
A editora L&PM possui um catálogo incrível de livros de bolso. De Angeli a Shakespeare, passando por Foucault, Flaubert, Neruda, Iturrusgarai, etc, os volumes podem ser encontrados em qualquer banca de revistas de São Paulo. Por aqui ainda não vi, mas, se ainda não tem, com certeza não demora a chegar.
Os preços são ótimos, próximos ao dos livros das máquinas de metrô (R$8,00, R$19,00, depende da grossura), com a vantagem de peso e tamanho - cá entre nós, quem é que vai carregar livro na bolsa/mochila em tempos de LER? (Eu quis dizer lesão por esforços repetitivos, não o verbo" ler"...)
Minhas últimas aquisições foram "O Teatro do Bem e do Mal", de Eduardo Galeano (R$8,00), e "On The Road", de Jack Kerouac (R$19,50). Veio um chocolate de brinde, mas só acontece no caso de jornaleiros bem humorados e generosos, não é regra.
É claro que foi uma grande sacada de marketing da editora, mas não posso dexar de observar que estão contribuindo para a democratização do conhecimento, por isso indico.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

O Brasil Sulino


Jorge Guedes é músico missioneiro, mora com sua família em São Luiz Gonzaga/RS, nas três fronteiras, região das Missões. Com seus três cd´s gravados, em carreira solo, demonstra que há no País uma variedade de cultura e outros ritmos, para além do samba brasileiro. A milonga e o chamamé são exemplos.
O último trabalho de Jorge chama “Das Missões às Cordilheiras”, onde registra por meio das melodias e das letras, a história do povo missioneiro, propõe uma reflexão sobre a ancestralidade do gaúcho e o sentimento da latinidade. Para a realização desse cd Jorge formou parceria com músicos de países vizinhos: Carlos Acuña, Raul Garnica, Thiago Rossato, Luiz Carlos Borges, José Dutra, Texto Cabral, Dernado do Ó, Diego Facundo, Celau Moreira e com poetas da cultura gaúcha (gaúcho é o nome que se dá ao homem do campo na região dos pampas da Argentina, Uruguai e do Rio Grande do Sul e aos nascidos nesse Estado).
Os filhos, influenciados pelo pai, estão ligados à música desde pequenos e há cerca de sete anos o acompanham em turnês pelo Brasil afora. Anahy, de 17 anos, canta; Adriano(São Pedro de La Cordeona), 20, toca uma exclusiva gaita alemã, que segundo ele, há apenas quatro exemplares no País; já o garoto Caray, de 14 anos, desenvolveu habilidade e paixão pelo violão de sete cordas, instrumento que ganhou de seu amigo Yamandu Costa.
O grupo conta também com a participação de Tiago Rossato no acordeón. Eles estiveram no último domingo, 25, em São Paulo para a atividade cultural “Brasil Sulino”, baseada na obra "O Povo Brasileiro, de Darcy Ribeiro.
***
Com o público emocionado pelas músicas que apresentaram no espaço Crisantempo, na Vila Madalena, a família Guedes aproveitou para convidar a platéia ao 4º Encontro Internacional de Chamameceiros, que será realizado em São Luiz Gonzaga (500 quilômetros de Porto Alegre), nos dias 10,11,12 e 13 de janeiro de 2008. Jorge Guedes integra a comissão organizadora e diz que já está garantido para o encontro nomes importantes do Chamamé de vários países, como da Argentina, Uruguai, Paraguai e outros.
Para quem quer aproveitar as férias em janeiro, mas ainda está sem roteiro, tem na boa música missioneira uma razão para ir até o Sul do País e conhecer as tradições gaúchas.
Fer Ik

domingo, 25 de novembro de 2007

A Besta

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o Pré-Coito, disse essa semana, durante o Congresso do PSDB:

"Aqui há sim gente acadêmica, não temos por que esconder isso e nos orgulhamos disso. Aqui há sim gente que sabe falar mais de uma língua, e não temos vergonha disso. Sabemos bem a nossa língua, não temos vergonha disso. E também sabemos que há brasileiros que não puderam saber falar bem a nossa língua e muito menos as outras."


Para além do preconceito de Sua Alteza, e de suas recentes preocupações gramaticais, FHC arrematou dizendo que quer "brasileiros melhor educados, e não brasileiros liderados por gente que despreza a educação, a começar pela própria", numa referência grosseira ao presidente Lula, um ignorante, segundo FHC.

Ocorre que, pela norma culta, o correto seria "mais bem educados" (e não melhor educados como disse o mal educado FHC).

Segundo a professora Thais Nicoleti, em matéria da folha online, "Rigorosamente, deve-se usar "mais bem" antes de particípio."

Para a professora, o mais grave, no entanto, é o significado da frase do ex-presidente.

"Todos sabem falar a sua própria língua. Não se pode usar a fragilidade da educação formal de uma pessoa para atacá-la. Como professora de português, nunca desmereço o discurso de alguém por sua forma de falar. Isso é politicamente incorreto ou no mínimo mesquinho."

Fim da esquerda?

Dizer que os critérios de classe não valem mais para a pós-modernidade é uma grande ilusão.

Aliás, hoje está em voga dizer que tudo acabou e que nada mais vale, valores, conceitos, ideologias, o trabalhador é um mero apêndice do processo produtivo e até o conceito de história querem dar por encerrado.

Tenta-se desgarrar a cultura da economia e da política

A perspectiva pós-moderna é culturalmente suicida, eles transformam cultura num mero enfeite de parede, ela perde toda a sua conectividade com a vida humana e pode ser desfeita a qualquer momento.

Não existe mais burguesia, nem trabalhadores e Estado, os partidos não servem para mais nada, ideologia é uma besteira, classe social é um termo ultrapassado, fazer política é feio. Coletividade? Vamos todos fazer a nossa parte, pois o coletivo é também algo ultrapassado, o que vale é o indíduo.

Fazer a sua parte! Basta deixar de comer carne vermelha e entoar um mantra Indy que o mundo será melhor.

Dizer que não existe esquerda e direita é fácil. Agora, o que dizer da pobreza e da riqueza ambas crescendo cada vez mais.

No entanto, pobreza não é ideologia nem conceito, como diria o presidente Lula "é um fato concreto", assim como o capitalismo, ou será que alguém também vai dizer que não existe capitalismo?

Ser de esquerda após a Comuna de Paris significa lutar contra a sociedade capitalista [cultura, política e vida social], ou seja, contra a riqueza e a favor dos pobres, contra a agressão cultural aos povos não completamente integrados ao Mercado.

Ser de direita é (resumindo) achar que tudo o que existe é o mercado!

Querem substituir interpretação da sociedade através das classes sociais pelos chamados "Padrões de comportamento de consumo" [mercadorias], "classe sócial é coisa do século passado". Ora! O que é isso?

O grande mérito de Marx no século retrasado foi mostrar como existia algo de mais complexo entre o homem e as mercadorias, mediações que explicavam a dominação de uma classe sobre a outra, que ele chamou de fetichismo da mercadoria.

Os intelectuais de direita (direita pós-moderna) querem desqualificar todos os conceitos e idéias que tentam desmistificar a mercadoria, em contrapartida, eles tentam, consciente ou inconscientemente, fazer erigir um novo Deus – "os Mercados".

Ser de esquerda não é só ideal é uma necessidade!

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Atitude Suspeita!


Departamento de espionagem Abacoros

nome: Fábio C.
Idade: 20 e poucos anos
atividade: estudante de história
histórico: foi visto hoje, quinta-feira, dia 22, em atitude suspeita. Estava numa feira de livros, realizada em uma universidade pública, folheando a obra "Revolucionários", do historiador Eric Hobsbawn. Tudo indica que o elemento tenha levado para a casa o livro de capa vermelha, tendo em vista que o mesmo estava em promoção, com 50% de desconto!
recomendação: segundo informações essa feira é realizada todo ano, facilitando o acesso de centenas de jovens suspeitos às obras de pensadores, críticos e historiadores. Por isso, merece atenção das autoridades máximas e inatingíveis, porque no futuro, se depender das leituras desses indivíduos, consequências sérias poderão ocorrer e abalar a ordem nacional.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Um filme nacional

O diretor Heitor Dhalia foi muito corajoso em fazer o filme Nina, baseado na obra "Crime e Castigo" de Fiodor Dostoiévski. Na época do lançamento fui ao cinema sem expectativa nenhuma, e simplesmente gostei. Raskolnikov é Nina e o filme começa assim:
"Eu tenho uma teoria, os indivíduos se dividem em duas categorias: os ordinários e os extraordinários.
Os ordinários são pessoas corretas que vivem na obediência e gostam de ser obedientes. Já os extraordinários são os que criam alguma coisa nova, todos que infligem a velha lei, os destruidores.
Os primeiros conservam o mundo como ele é, os outros, movem o mundo por um objetivo mesmo que para isso tenham que cometer um crime".
Ele é facilmente encontrado nas locadoras e também nas baciadas das Americanas ou Carrefour, por R$ 19,90.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Música Negra - última parte

Capítulo VII - Brancos de alma negra

E há aqueles que nem de longe são negros, mas encarnaram tão bem o espírito, que vale a pena serem lembrados. Alguns por terem desafiado os costumes da época aderindo ao estilo black, outros por pregarem a igualdade em seus trabalhos.

Janis Joplin

Reza a lenda que, ao ouvir a voz de Janis pela primeira vez, as pessoas se perguntavam quem era aquele negro que cantava com tanta força. Pois é, era mulher e branca...

Frank Zappa

Autor de delícias como Bobby Brown e Brown Moses, veio para quebrar tabus, como por exemplo o de que um músico criativo precisa necessariamente estar chapado. Dizem que era completamente metódico e brigava feio com quem aparecesse drogado nos ensaios. Era branco, mas por conta de sua personalidade eclética flertava com todos os estilos musicais, especialmente os negros.

André Abujamra

“Alma não tem cor, porque eu sou branco/Alma não tem cor, porque eu sou negro”
André tem como ponto de partida de toda a sua obra a celebração das diferenças. Branquinho e de olhos azuis, surpreendeu a platéia de um show anunciando o nome do seu novo CD, Retransformafrikando. “Transformar/ficando porque eu passei por uma cirurgia de redução de estômago e achei que ia morrer, mas fiquei aqui. Ou seja, eu me transformei, mas fiquei no mesmo lugar. E África, bom, África porque eu sou negão.”
Muitas de suas músicas remetem à miscigenação dos povos: Nóis Eh Sampli, Olho Azul, Pangea, Alma Não Tem Cor, O Mundo – outras trazem referências do candomblé, sua religião: Atoto, Oxalá Meu Pai...

Elvis Presley

Na década de 50 era comum os pais mais conservadores taparem os olhos de suas filhinhas ao se depararem com imagens do rei do rock. Elvis desafiou a elite trazendo para o público branco características típicas dos negros: o rebolado, os acessórios exagerados, cabelón armado.

Michael Jackson

Só pra não perder a piada...

Há milhares de excelentes artistas que não foram citados aqui, mas seria impossível falar de todos. Lembrem-se que é uma matéria amadora de uma pessoa amadora. Os comentários estão à disposição de quem quiser complementar algum tópico com mais informações.

Feliz Dia da Consciência Negra!

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Música Negra - parte VI

Capítulo VI – O Soul no Brasil

O soul, música tipicamente norte-americana, ganhou seguidores aqui no Brasil: músicos que fundiram duas manifestações culturais diferentes num estilo único.

Tim Maia – Bom Senso (música do CD Tim Maia Racional)

Esta sem dúvida marca a fase mais doida de Tim Maia. Por que doida? Porque só uma pessoa muito louca pra eleger um único livro como o responsável pelo seu bom senso. Nem o mais radical dos marxistas diz isso de O Capital. “Já senti saudade/Já fiz muita coisa errada/Já pedi ajuda/Já dormi na rua/Mas lendo, atingi o bom senso/A imunização racional...”
No final da gravação ele diz, em tom bem sério: “Leia o livro `Universo em Desencanto´“. Ai que medo, não leio não.

Jorge Ben – O Homem da Gravata Florida (música do CD Músicas Para Tocar em Elevador)

Difícil eleger uma música para representar esse cara, porque ele tem muita coisa boa. Ele consegue unir a musicalidade negra com letras poéticas, muito bom!

Sandra de Sá – Olhos Coloridos (música do CD Sandra de Sá)

“Você ri do meu cabelo/Você ri da minha pele/Você ri do meu sorriso/A verdade é que você/Tem sangue crioulo/Tem cabelo duro/Sarará crioulo...”
Trecho auto-explicativo. Arrasou, Sandrona!

Wilson Simonal – Nem Vem que Não Tem (música de CD desconhecido)

“Nem vem que não tem/Nem vem de garfo que hoje é dia de sopa...” – Só esse trecho já vale a música inteira. Ihú.

Música Negra - parte V

Capítulo V – Ritmos genuinamente brasileiros

Aqui no Brasil o negro trouxe a base da maioria dos ritmos que consideramos nossos. O samba, o jongo, o coco, o boi-bumbá, o choro, a bossa nova, tudo veio da África. É complicado citar nomes, porque também são alguns dos ritmos que eu mais ouço... ai ai ai, do quê que eu não gosto? Mas vamos lá...

Samba:

Clara Nunes – Para Sempre Clara (CD)
Um dos maiores nomes do samba no Brasil.
Adoniran Barbosa – absolutamente tudo (obra completa)
Porque paulista também sabe sambar.

Tem também Lupicínio Rodrigues, Cartola, Paulinho da Viola, Noite Ilustrada, Elza Soares (Carne Negra é essencial!!!), Jackson do Pandeiro, Noel Rosa, etc, etc, etc...

Raiz:

A Barca – Turista Aprendiz (CD)

O grupo fez uma pesquisa sobre as canções anotadas por Mário de Andrade no início do século XX em suas andanças pelo Brasil. Resultou em um delicioso tributo aos mais variados ritmos brasileiros láááá do fundo da raiz. (Fundo da raiz é ótimo).

Choro:

Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Garoto, Benedito Lacerda, Altamiro Carrilho.

domingo, 18 de novembro de 2007

Música Negra - parte IV

Capítulo IV – O negro nos EUA: Jazz, Blues, Funk e Soul

A mistura do ritmo negro com a sobriedade inglesa deu origem à elegante sonoridade do jazz. É um estilo ao mesmo tempo sofisticado e livre, já que permite muita improvisação. Tem como base os metais de sopro (trompete, sax, etc.), mas também há a presença do piano, bateria, etc. Existem nomes fortíssimos que eu poderia citar aqui, de verdadeiros gênios do jazz, mas vou me limitar a indicar quatro:

Dave Brubeck – Take Five (música de CD desconhecido)
Traditional Jazz Band – Ain´t She Sweet? (música de CD desconhecido)
Ella Fitzgerald – absolutamente tudo (obra completa)
Billie Holiday - absolutamente tudo (obra completa)

O blues veio da expressão norte-americana blue, que, além de azul, significa triste. Era a música que o negro fazia no seu cativeiro, com uma gaitinha que tirava do bolso e muita criatividade. A palavra funk vem de funky, expressão que se referia ao mau-cheiro exalado pelo negro quando dançava. Como não sei a origem exata do funk e do soul, mas acredito que tenha uma raiz semelhante à do blues, vou juntar tudo no mesmo balaio e indicar alguns artistas no mesmo tópico. Amo todos esses estilos, mas não saberia definir onde termina um e começa outro. Como exemplo, ouçam James Brown, Wilson Pickett, Kool & the Gang, Chambers Brothers, Aretha Franklin, Diana Ross, Jimi Hendrix, Sly & The Family Stone, Jackson 5, Funk Como Le Gusta, Blues Etílicos, etc. Pra quem é de Bacaroço, procure pelo Mad Dog Blues, geralmente tocam às sextas-feiras no Depois Bar.

Música Negra - parte III

Capítulo III – A música latina

Com a vinda de escravos africanos ao continente americano, fundiu-se a sensualidade hispânica com a malemolência do negro, dando origem a alguns dos meus ritmos preferidos: salsa, merengue, rumba, mambo... Tornou-se marca registrada de países da América Central, como Cuba, México, e em 2000 foi tema do premiadíssimo documentário que indicarei abaixo. Aqui no Brasil, teve um filhote que causou certa “febre” nos anos 80, a lambada; esta, porém, teve fins muito mais comerciais do que artísticos. Recomendo:

Win Wenders - Buena Vista Social Club (DVD)

Facinho de encontrar na baciada das Americanas por preços módicos. Conta a história de músicos cubanos, com cerca de 60 a 70 anos. Wenders gravou o documentário a partir de relatos de grandes intérpretes, como Ibrahim Ferrer e Ry Cooder, que falam à câmera diretamente das ruas de Havana. Intercalam-se aos seus relatos versões ao vivo e em estúdio de músicas lindas.

Los Lobos – Tequila (música de CD desconhecido)

Não sei dizer nada a respeito desta música nem da banda, exceto que é ótima e tocava bastante no Pub.

Fruko Y Sus Tesos – El Preso (música trilha do filme Maria Cheia de Graça)

Esta música é parte da trilha sonora do filme colombiano Maria Cheia de Graça, que aliás, eu super recomendo. Toca em um club que Maria visita no início do filme. Fruko Y Sus Tesos é uma banda de salsa muito popular na Colômbia e El Preso foi um dos seus maiores hits.

sábado, 17 de novembro de 2007

Livro de Hilda

O livro Estar Sendo. Ter sido é uma narrativa desconcertante. O último livro em prosa escrito pela escritora campineira Hilda Hilst tem um narrador que é um homem de 65 anos que larga tudo e espera a morte. Chama-se Vittorio, bebe todos os dias, prefere Martini seco. Viaja na criação de um roteiro que se confunde com a sua pacata rotina. Vive em uma casa perto da praia com o seu filho Junior e seu irmão Matias.
“Escrever é preencher folhas de papel com pânico e solidão, com a suspeita de ter perdido o rumo ou de nunca ter havido algum”, diz a nota do tradutor que transmite a aura do livro.

Ferik

No Brasil não existe pequena-burguesia

Percebi esses dias que a classe média (pequena-burguesia) no Brasil é um grupo intocável, ela simplesmente não é alvo de críticas.

Aparentemente ela não existe.

Equanto você tem opiniões diversas sobre os pobres e sobre os ricos, a classe média é o povo brasileiro. Identificamos o seu discurso quando eles se referm como o povo que paga impostos e ainda é obrigada a arcar com o convênio médico familiar e a escola do filho.

Na América Latina quando um esquerdista ou intelectual quer se referir a classe média ele usa o termo pequena-burguesia, no Brasil o termo simplesmente não é usado.

Apesar de Karl Marx se referir aos indivíduos desta classe por pequenos-burguêses, no Brasil o termo esta fora do discurso dos partidos socialistas, principalmente dos radicais.

Aqui existe o povo e a elite ou burguesia - a classe média faz parte do povo.

Eu ainda vou descobrir por que isso acontece no Brasil, se já não descobri.

Tenho ainda uma grande dúvida: Por quê no Brasil os partidos esquerdistas são tão influentes na classe média e tão insignificantes entre os trabalhadores?

Os partidos de esquerda fazem um dircurso direcionado a pequena-burguesia, mas eles não se assumem como pequena-burguesia, usam todas as palavras do vocabulário marxista, menos pequena-burguesia, é como se tivessem vergonha.

A classe média (pequena-burguesia) brasileira se formou ou se fez relevante na década de 70, ela lutou contra a ditadura militar/burguesa, infiltrou-se nos movimentos de esquerda e alçou, como diria Gramsci, a direção intelectual da sociedade.

Não ser socialista, para eles é uma coisa desconfortável por isso eles tem vergonha de ser pequenos-burgueses, até por que Marx e Lenin execravam os lideres pequeno-burgueses nos partidos socialistas.

A pequena-burguesia se define no maximo como classe média, mas classe média não é um conceito é um termo que não diz absolutamente nada. Classe média é uma coisa na Europa e outra na América, na Africa e no Islâ, pequena-burguesia é a mesma coisa em todos os lugares e é determinada historicamente.

Música Negra - Parte II

Capítulo II - O negro e a religião

A religião é mais um ponto onde o negro é discriminado. Ao chegar à terra onde era escravizado, devia imediatamente se converter aos costumes religiosos locais. Todas as suas práticas espirituais de até então eram consideradas demoníacas; e até hoje há uma crença muito forte de que candomblé e umbanda são do demônio. Com o tempo e a luta deste povo, a sonoridade dos cantos religiosos vêm ganhando cada vez mais destaque. Indico:

A Barca & Casa Fanti Ashanti – Baião de Princesas (CD)

O CD é do grupo brasileiro A Barca, e foi gravado em parceria com a Casa Fanti Ashanti, em São Luís do Maranhão. A Casa é um dos mais importantes centros culturais negros do país, onde se realizam cultos de candomblé, cura/pajelança, samba angola, ladainhas, procissões, festas do Divino e inúmeros rituais internos.

Mawaca – Aguerê de Iansã (música do CD Astrolábio Tucupira)

Trata-se de um orin (cantiga de candomblé). Baseando-se na estrutura do ritmo aguerê, foi criada uma melodia de apenas duas notas que utiliza expressões em iorubá próprias para invocar Iansã, a deusa guerreira que rodopia como vento com suas iaôs.

Mawaca – Maracatus (música do CD Astrolábio Tucupira)

Pot-pourri de Quando eu vim de Luanda e Luanda Miçanga, canções coletadas em Recife-PE, que remetem à cidade de Angola. Fala sobre características dos reinados africanos, como a rainha, o rei, a boneca negra. Parceria do Mawaca com os Meninos do Morumbi; seu líder baseou-se nos ritmos de maracatu tradicional e criou um outro maracatu, utilizando alguns instrumentos de percussão de escola de samba.

Música Negra

Salve!

Já que estamos em clima de dia da consciência negra, vamos falar um pouco de música black.

O princípio de qualquer explanação sobre qualquer assunto normalmente é conceituar o que se vai discutir. Com música negra isso fica bem difícil, já que é um tema absurdamente abrangente.

Pausa para um causo.

Certa noite estávamos eu e Ferik a perambular pelas ruas de Sampa a procura de uma baladinha interessante. Paramos em frente à Sarajevo, perguntamos ao segurança o que rolava lá, ele disse que aquela noite era música black. Imediatamente nos veio à mente James Brown, Jorge Ben, Kool & the Gang. Entramos felizes e contentes, e ao atravessar um corredor (com certa dificuldade, pois tinha muita fumaça no ar), nos deparamos com uma salinha minúscula com um DJ tocando uma mistura de reggae com hip-hop, vários caras de dread e muita, muita fumaça. Fomos para o fundo do local, onde tinha um barzinho, sentamos numa mesa com dois rapazes e ficamos divagando a respeito da diversidade disso que se chama de música black.

Enfim, a música negra se espalhou por todo o mundo, e em cada lugar que parou se misturou com a cultura local, o que fez com que se criassem vários estilos a partir de uma única raiz. Embora exista uma enorme diversidade de vertentes, em todas elas há características em comum, como o balanço e a sensualidade do negro. Além disso, por ser uma manifestação cultural de um povo excluído, muitas vezes acaba tomando a forma de protesto: um meio de resistir à dominação mantendo sua identidade cultural – o que, cá entre nós, torna esta arte bem mais interessante.

Como não sou etnomusicista, vou discorrer sobre o pouco que conheço a respeito do tema, portando será um texto parcial e incompleto. Mas é de coração... :)

Obs: descobrimos uma pista de samba-rock no último andar da Sarajevo e terminamos a noite por lá mesmo.

Para facilitar a postagem, o texto será dividido em sete capítulos.

Capítulo I - O início

Dizem que a humanidade começou na África; logo, as primeiras manifestações musicais devem ter surgido por lá. É óbvio que hoje, se dermos uma voltinha pelo continente, não veremos tribos com argolas nos narizes batucando tambores. No entanto, alguns grupos de pesquisa musical procuram resgatar estes sons e fazem um excelente trabalho, nos colocando frente a frente com o que há de mais visceral em termos musicais. Minhas dicas são:

Mawaca – Tambores de Mina
Barbatuques – Djengo

Fanta Konatê – obra completa

O cortejo fúnebre da Revolução

Quarta-feira fui a faculdade assistir o Seminário de comemoração dos 90 anos da Revolução Russa

Enquanto eu aguardava uma mesa que debateria o cinema revolucionário, avistei uma das cenas mais surreais já vistas por mim na USP.

Um grupo pequeno de rapazes e moças vestidos de preto (camisas de banda de rock) foi se aproximando do prédio da história tocando tambores num rítimo de suspense, parecia um funeral (lembrei também de uma cena de chegada da morte numa peça de teatro), dois deles carregavam uma bandeira do PCO enquanto outros panfletavam o boletim do partido.

Na verdade tratava-se da seção de um grupo de maracatu (que eram também militantes do PCO) indo ensaiar no gramado do outro lado do prédio da História, o trajeto até o local eles fazem sempre tocando, só que este grupo aproveitou para fazer propaganda do partido em frente a história, na USP os coletivos políticos sempre ensaiam maracatu.

Como o nome do Seminário era “Uma Jovem de 90 anos “ não pude ter outra reação a não fosse dizer: Será que Revolução morreu?? Isso parece um cortejo fúnebre!

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Feira de Livros da USP

Pessoal, começará na quarta-feira que vem, dia 21 a Feira do Livro da USP. Como em todo ano, ela reúne várias editoras, das pequenas às grandes, como Editora 34, Cosac Naify e Nova Fronteira, oferecendo desconto de 50%!!!!!
Ou seja, se você quer comprar aquele lançamento que custa R$ 60, lá você o encontrará por R$ 30.
A feira, que ocorre sempre no mês de novembro, ficará na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (FFLCH) até sexta-feira, dia 23. Ela é muito badalada porque é a única oportunidade de se comprar livros pela metade do preço.

Uma dica: quem puder ir no dia 21, pode aproveitar a ida à USP e conferir às 18h30 no auditório do CRUSP, "Camargo Guarnieri", a palestra de Istvan Mezaros, que lançará seu livro "O desafio e o fardo do tempo histórico", da Boitempo Editorial e que custa R$ 57. Como é bem provável que a editora participe da feira, vc pode comprá-lo com desconto e levar para Mezáros autografar.

A retaguarda da tropa

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

I Salão Jornalista Escritor


Mesmo sendo feriado prolongado e uma quinta-feira de chuva em São Paulo o primeiro dia do I Salão Jornalista Escritor, promovido pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI), que está comemorando 100 anos, foi um sucesso.

O salão do Memorial da América Latina ficou lotado de jovens e profissionais da imprensa ávidos para assistir as palestras, entrevistas e os debates da programação, já que contou com nomes consagrados do jornalismo, como Luis Fernando Veríssimo (14h30), Ruy Castro (16h), Heródoto Barbeiro, Ricardo Kotscho (17h30) e fechando a atividade do dia com o convidado internacional, pensador da comunicação e da globalização, e diretor do Le Monde Diplomatique, Ignácio Ramonet (20h).
O evento é gratuito, aberto ao público em geral, basta retirar senha uma hora antes de cada atividade. A programação irá até domingo, 18, e pode ser conferida no http://www.jornalistaescritor.org/. O Memorial da América Latina fica ao lado da Barra Funda.





Após a entrevista no auditório o jornalista e escritor gaúcho Luis Fernando Veríssimo faz sessão de autógrafos.

A primeira foto mostra a exposição de capas de livros do artista Elifas Andreato, no salão há também stands da editora Imprensa Oficial e da Livraria da Vila, onde pode ser comprados os livros de todos os convidados do I Salão Jornalista Escritor.

15/11

(mais sobre as palestras de Ruy Castro, Heródoto, Kotscho e Ramonet no http://www.fremitos.blogspot.com/)

Quando ouço a palavra cultura, puxo logo do revolver.
Joseph Göbbels, Ministro da Propaganda de Hitler

Biblioteca Zumbi dos Palmares

Um belo trabalho do pessoal do movimento cultural Rima e Revolução, a biblioteca comunitária Zumbi dos Palmares está completando dois anos, atendendo um dos bairros mais carentes da cidade, o Santo André II, num espaço sedido pela Cooperteto (cooperativa de moradores).
Josue, parabéns pela dedicação!
"Apesar dos obstáculos, as bibliotecas comunitárias já fazem parte da realidade de muitas pessoas, graças ao esforço de poucas." Josue

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Bancos ajudam a colocar a leitura em dia

Se você não se importar com conversas alheias, barulho de telefone tocando e com pessoas de todos os tipos te observando, um ótimo local para você terminar de ler um livro é na fila de banco. Claro que tem que ser uma leitura leve, que não exija tanta reflexão.
Eu estava com um livro de crônicas, do jornalista Ricardo Kotscho, para terminar. Tinha “abandonado” temporariamente a leitura porque surgiram algumas outras urgentes, mas sempre que saio de casa carrego comigo um livro, para me fazer companhia no ônibus.
Hoje levei esse, faltavam pouco mais de trinta páginas.
Quando cheguei no banco observei que a fila estava grande, sem estresse, saquei da bolsa o livro e comecei a ler. Para minha surpresa havia outra mulher na fila compenetrada em sua leitura. Tentei, mas não consegui ver o título do livro dela. Pura curiosidade.
Apesar de existir uma lei municipal que proíbe os bancos de deixarem seus clientes aguardando por mais de vinte minutos, fiquei lá por meia hora, tempo suficiente que me permitiu saborear cinco crônicas.
E já que estamos falando de lei não cumprida, há uma outra, um pouco mais recente, que obriga a colocação de biombos para conceder mais privacidade aos clientes. Nesse banco em que eu estava isso também não estava de acordo.
Mas então, voltando para o objetivo deste post, quero dizer que se você tem que andar de ônibus, enfrentar alguma fila e está com algumas leituras em “atraso”, não saia de casa sem um livro. Ele será muito útil para te entreter. Enquanto espera resolver seu compromisso poderá ter o prazer da leitura, o que ajudará a não estressar com o horário. Nos casos de filas de bancos, conseguirá reverter o não-cumprimento de uma lei em algum benefício para você.
Ferik

Reflita o que você é


A companhia de teatro Boa Companhia é de Campinas e completa 15 anos reunindo em sua trajetória peças de altíssima qualidade, devido à atuação de seu elenco de profissionais múltiplos. Eles captam a profundidade de cada texto, nada ali, nenhum movimento, é banal, superficial ou gratuito.
Assisti Primus em uma Viagem Teatral do Sesi de Sorocaba, não me lembro se foi em 2004 ou 2005. Já o Esperando Godot, de Beckett, mentor do teatro do absurdo, assisti em uma rara oportunidade, no Sesc, ano passado.
Quem puder dar um pulo em São Paulo, ou já estiver por lá entre 13/11 e 16/12, vale ir conferir esses espetáculos no Centro Cultural São Paulo, que fica na rua Vergueiro, metrô Paraíso.
Ferik

domingo, 11 de novembro de 2007

As grandes cabeças da minha geração

"Gostaria de escrever algo como "as grandes cabeças da minha geração", mas essa é toda uma linhagem de chatos queixosos. Encaro seus olhos e só vejo o reflexo do vazio em cada um de nós, entre óculos de aro grosso, orelhas amassadas, sob cabelos pintados de loiro, em diários na rede, programas de auditório e sessões sofisticadas de cinema, é tudo a mesma grande coisa, só a repetição dos padrões regurgitados e atitudes velhacas, como se nada mais houvesse ou fosse possível fora dessa nostalgia vazia"


João Paulo Cuenca, em Corpo Presente

sábado, 10 de novembro de 2007

Este blog dá azar


Só pode ser. Na quinta-feira escrevi um post sobre história e literatura, ou melhor, sobre como a literatura serviria como fonte para a história.

No post em questão, citei o exemplo do escritor Norman Mailer e seu romance Os Nus e os Mortos.

E para minha surpresa, morreu, na manhã deste sábado, em Nova York, o escritor norte-americano Norman Mailer. Ele estava com 84 anos, e foi vítima de falência dos rins. Ligado à contracultura, autor de 11 romances e vários ensaios e peças de teatro, Mailer foi um dos intelectuais mais famosos dos EUA nas últimas décadas.

Venceu duas vezes o prêmio Pulitzer e foi co-fundador da revista alternativa nova-iorquina "Village Voice". Mailer foi também um dos pais do "novo jornalismo", que ajudou a divulgar a partir dos anos 60 com artigos em dezenas de jornais e revistas.

É um blog predestinado: escrevi sobre Mailer na quinta e ele morre no sábado.

Prometo que amanhã escrevo algo sobre o Bush.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Cordel sorocabano sobre fuga de escravos - "Preto Pio"

O o poeta e historiador Carlos Carvalho Cavalheiro lançará na próxima semana o cordel "A História do Preto Pio e a fuga de escravos de Capivari, Porto Feliz e Sorocaba". Narrando em versos a fuga em massa de escravos iniciada em Capivari em 1887, Carlos Cavalheiro recupera a história do líder Preto Pio - que morreu lutando pela liberdade na Serra do Cubatão quando se dirigia ao Quilombo do Jabaquara - e dessa fuga que teve repercussões importantes para a campanha abolicionista.

De acordo com o autor, depois dessa fuga o Clube Militar se recusou a dar caça aos escravos fugitivos; em Porto Feliz chegaram os imigrantes belgas para substituir a mão-de-obra que se escasseava; em Sorocaba foi declarada a abolição antecipada e em maio de 1888 foi assinada a Lei Áurea.
"Dessa forma, recupera-se a importância do papel do próprio negro na luta contra a escravidão. A Lei Áurea assinada em 13 de Maio de 1888 foi resultado também da luta dos escravos"

A fuga de escravos de Capivari, chamada por José do Patrocínio de "Êxodo de Capivari" teve ainda auxílio dos caifazes de Antônio Bento que estavam à frente na campanha abolicionista de São Paulo. A história do Preto Pio foi brevemente tratada no livro do mesmo autor, lançado em dezembro de 2006, intitulado "Scenas da Escravidão - Breve ensaio sobre a escravidão negra em Sorocaba" e, ainda, nos livros "Perseverança III e Sorocaba", de José Aleixo Irmão; "A escravidão no Brasil", de Jaime Pinsky e "A Marcha" de Afonso Schmidt. Este último é provavelmente o livro que traz maiores informações sobre esse episódio esquecido de nossa história.

"A figura do Preto Pio é um exemplo, tanto quanto Zumbi ou mesmo Espartacus; com a vantagem de que o Pio era da nossa região, do Médio Tietê", defende o autor.
O cordel "A História do Preto Pio..." poderá ser encontrado em livrarias e em bancas de jornal da cidade de Sorocaba e Porto Feliz.
Fonte: Texto enviado pelo autor

O "Romance Policial Brasileiro"


Tony Bellotto, guitarrista dos Titãs, e escritor apenas "simpático", que lança seu 5° romance, "Os Insones", disse, em entrevista, que procurar descobrir uma nova forma de escrita, mais original, criando, assim, o "Romance Policial Brasileiro", deixando de lado os grandes mestres norte-americanos.

Ora, Tony, é fácil. Quer conhecer o grande "Romance Policial Brasileiro"? Leia Rubem Fonseca.

"Mandrake", do canal HBO, baseada em personagem do mestre Rubem Fonseca. E é casado com Malu Mader,Em defesa de Tony Bellotto, diga-se que é um grande músico, e roteirista da série uma atriz linda, de uma beleza singular.

E ainda quer ser o "Grande Romancista Policial Brasileiro"?

Deixe um pouco para os outros.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Cultura? Vamos falar de sexo! Sexo, mulheres e vinhos

Que “os homens preferem as loiras” eu não posso concordar, nem que “as mulheres preferem os milionários” como diz os titulos dos filmes de Merylin Monroe. Ouvi falar que em se tratando de mulheres e de vinhos não se pode ter o mínimo preconceito, nem de nacionalidade nem de classe.



Sobre a mulher eu já disse que preferi que fosse francesa, mas fiquei tantas vezes paralisado frente uma branquela polonesa que duvidei da seriedade dos meus desejos, tremi como um adolescente quando junto de uma nordestina atinada, japonesas amei centenas que... se elas soubessem! Negras maravilhosas me despertaram o mais “mescigênico” dos impulsos, por quantas vezes afirmarei ainda que só gosto das européias se no outro dia desdirei tudo por conta de uma nissei? Oh, vida cruel! Oh, diversidadel! Que mundo mais confuso e complicado!




Quem não ama o sorriso feminino / Desconhece a poesia de Cervantes


Che Guevara chegou a dizer que sua esposa, de tão feia lhe dera uma filha que mais parecia o Mao Tse Tung, mas o Che deve ser perdoado, ele também não gostava de vinho, talvez ele ainda não havia descoberto que em toda mulher há sempre algo que faz dela a mais linda, mas disto são poucos que sabem, Raul, Almodovar e Zé Ramalho .



Da mesma forma acontece com as bebidas, o alcool não tem partido . Não seria muito mais cômodo para nós comunistas se gostássemos apenas dos costumes da classe operária. apreciar uma branca cachaça é para mim um ato quase exótico, diria ideológico; melhor um bom vinho - hummm! - quando mais refinado e aristocrático melhor.




Quando penso no modo de produção capitalista, na luta de classe, na opressão estadunidense, na cultura de massa, quantas vezes criticamos ferozmente a indústria cultural norte-americana, o cinema, e de repente eis que nos vem à memória aquela Deusa - Merylin Monroe.


segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Literatura e História

Ao ler uma introdução de Ivan Pinheiro Machado ao livro "Ilusões Perdidas", de Balzac, deparei-me com a seguinte citação de Friedrich Engels (trecho de uma carta enviada a Marx):

"Aprendi mais em Balzac sobre a sociedade francesa da primeira metade do século (XIX), inclusive em seus pormenores econômicos (...), do que em todos os livros dos historiadores, economistas e estatísticos da época, todos juntos"

Afirmação bastante precisa, no que diz respeito a Balzac, e verdadeira também para outros escritores.

Posso mencionar um livro de Norman Mailer, Os nus e os mortos.

Diz mais sobre a segunda guerra mundial, no cenário do oceano pacífico, do que muitos tratados de história.

Deixo para os futuros historiadores - o Fábio, em especial - a sugestão de um levantamento das principais obras literárias de um período a ser estudado.

Não apenas como curiosidade estética, mas como fonte relativamente confiável de dados, de descrição dos costumes, da mentalidade, enfim, da sociedade de uma forma geral, num dado momento histórico.

domingo, 4 de novembro de 2007

A guerra dos sexos


"Ninguém jamais vencerá a guerra dos sexos: há muita confraternização entre os inimigos".


Henry Kissinger

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Justificativa de um macho alfa


Não sou homófobo: tenho nojo de homem.